Ponto Vermelho
Tendência para incrementar o acefalismo
4 de Dezembro de 2015
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Já atingimos, de novo, o ponto (ou será que alguma vez saímos dele?) em que grande parte dos profissionais da imprensa, comentadores, opinadores, palradores e outros que tais, esfregam as mãos de contentes porque matéria rasca é coisa que não falta. Para alimentar dizem e escrevem eles, a paixão dos adeptos dos clubes sobretudo os que perfilham a cartilha clubista das duas margens da Segunda Circular, com particular ênfase para aqueles que são preguiçosos no raciocínio e não questionam quem devem questionar. Os dirigentes, concerteza, mas não só, na medida em que há uma multidão de interessados em que a coisa se mantenha com os decibéis elevados. E, obviamente, quem mais tem a possibilidade de fazer passar as mensagens e as ideias que mais lhe interessam para alimentar os seus interesses (próprios e do patronato) no amplo sentido do termo.

Certamente por isso, depois dos actuais dirigentes do Sporting com enfoque especial no seu adepto-presidente terem atirado a primeira, a segunda e a terceira pedra até ao momento em que desligámos o contador, o Benfica foi muito criticado por não ter reagido de pronto à letra porque só assim teriam mais matéria para escrever ou para comentar. Para acelerar esse processo, começaram de forma diligente mas pouco subtil, a pressionar os adeptos encarnados, sabendo que parte deles é mais sensível, permeável e ferve em pouca água. Um princípio há muito visto mas que continua a ter influência, uma situação comparável com o velho princípio dos vasos comunicantes…

Algures, ainda o processo estava a dar os primeiros passos, opinámos que o silêncio seria a melhor arma, porquanto descer ao nível da discussão que configurava pontos muito próximos da acefalia, da ignomínia e do insulto gratuito, era dar trunfos ao adversário que domina e convive melhor com essas matérias. Nenhuma dúvida parece existir que ao encetar uma discussão com gente que faz da mentira, da ofensa e da adulteração dos factos o seu modo de estar no desporto empregando amiúde linguagem rasca e praticando actos de nível rasteiro para pretender fazer valer os seus pontos de vista, ou nos situamos no mesmo patamar ou então correremos sempre o risco de ser goleados.

O Benfica, sejam quais forem os seus dirigentes, não pode entrar por aí. Afinal, num Estado de Direito qualquer acusação deve seguir os caminhos normais para ser provada e nunca pela via do show-off televisivo, muito embora as brechas que esse mesmo Estado tem aberto muito mais vezes do que seria lícito desejar, tenham levado a que qualquer artista sem pingo de sensatez e de vergonha na convicção de que vai ter direito a mais do que aos seus 15 minutos de glória levando à prática sensacionalismos que grosso modo não passam de coisas balofas ou recados encomendados, permitindo assim que, por força das audiências, essas ofensas e devaneios sob a capa da liberdade (que nunca como agora teve as costas tão largas), abram caminho à antecipação dos julgamentos fazendo com que os mesmos venham a ser dirimidos na praça pública ou em qualquer estúdio de televisão ou pasquim à medida. E assim alguns pobres de espírito vão vivendo felizes…

Perante um cenário desta magnitude que entristece e preocupa todas as pessoas de bom senso e adensam as dúvidas sobre o País desportivo, esperar-se-ia que as entidades competentes interviessem no sentido de acalmar as hostes, em particular os prevaricadores que fazem disso o seu modo de vida. Debalde! O presidente da Liga a quem competiria em primeira instância agir para obstar a que o clima de crispação se adensasse, continua algures em parte incerta a fazer não se sabe bem o quê e na sua única intervenção pública sobre o tema roçou a insensatez e o ridículo pois tudo o que está acontecer é muito mais do que um simples fait-divers. Tem sido, aliás, o dolce far niente a fazer escola no desporto e na política pois só quando estamos perante o abismo é que quem de direito resolve de alguma forma agir porque não tem alternativa…

Nessa perspectiva, face aos constantes ataques diários que lesaram o seu bom nome e a sua honra, não restou ao Benfica outra alternativa senão dar um passo em frente. Não da forma populista como o quarteto de Alvalade e seus apêndices têm feito as suas infelizes e desastradas intervenções, mas pura e simplesmente recorrendo para os órgãos próprios. Que a seu tempo decidirão sobre a verdade dos factos, muito embora o mal que já foi feito seja irreparável. Esta acção veio de encontro às pretensões da turba que depois de criticar hipocritamente a ausência de resposta encarnada vem agora situar a questão em parâmetros de igualdade, como se tivesse sido o Benfica a iniciar a guerra. Enfim, enquanto houver papalvos que acreditam nestas tretas a coisa vai funcionando…








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