Ponto Vermelho
Exemplo perfeito de negação…
7 de Dezembro de 2015
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A mentalidade reinante no desporto português e em particular no futebol, mesmo para os que acompanham o fenómeno desportivo com regularidade e atenção, não deixa de surpreender. Pela negativa, bem entendido, já que se não é de estranhar o anquilosamento de velhos protagonistas que fizeram história, não deixa de ser estranho e paradoxal constatar que os mais recentes não só não trouxeram nada de substancialmente inovador, como, para se afirmarem, não hesitaram em recorrer aos velhos truques e golpes sujos do passado, sendo que para isso, para além de uma barreira propagandística de balelas comunicacionais veiculadas pelos órgãos próprios, têm contado com a prestimosa e indispensável ajuda de uma variedade assinalável de pasquins e de uma enorme legião de palradores e seus derivados. A mensagem séria, rigorosa e equilibrada de alguns foi relegada para segundo plano e desvalorizada pela turba.

É sabido que recorrentes ziguezagues têm vindo a ocorrer na Liga de Clubes sobretudo nos tempos mais recentes, o que demonstra afinal que o poder e a força das influências é volátil e, por vezes, pouco ponderada. A esmagadora maioria dos clubes em estado desesperado cede por um prato de lentilhas aos interesses do momento, nem sempre aquilatando do alcance dos seu sim ou do seu não que os pode prejudicar em primeira instância e, em certos casos, aprova e desaprova consoante o andar da carruagem… É por isso que é muito difícil implementar qualquer medida estruturante que pode não ter resultados no imediato mas que é expectável vir a tê-los no médio/longo prazo. Essa é uma das razões, por exemplo, porque continuamos a ter demasiados clubes na I Liga nada aconselhável para a dimensão do nosso futebol caseiro, em que em inúmeras vezes o futebol praticado é sensaborão e pouco competitivo, com assistências muito abaixo do minimamente exigível.

Algo resistentes à inovação, a tendência é, com anos de atraso, copiar modelos alheios já implementados noutros países mais vanguardistas, enquanto por cá continuamos a cultivar as discussões estéreis sobre tudo e coisa nenhuma, parecendo radiantes por este nivelamento por baixo, valendo a velha máxima de que o importante não é propriamente não o ter, mas impedir a todo o custo que os outros o tenham. Passam por isso os anos, altera-se o quadro político, surgem novos protagonistas, mas alterações direccionadas para o progresso e para o desenvolvimento rien de rien. As justificações para que não se faça devido à escassez de meios não colhe de todo, porquanto pode e deve haver sempre evolução no sentido positivo, mesmo que algumas das crónicas vicissitudes tenham muita dificuldade em ser ultrapassadas. O que se torna indispensável é, por seu turno, haver ideias, vontade política, apego e um bom desempenho no terreno e na aplicação dos meios financeiros para a prossecução dos objectivos a alcançar.

Uma das bandeiras fortes do antepenúltimo presidente da Liga era a centralização dos direitos televisivos. Sabe-se o que (não) aconteceu porquanto tornava-se necessário ultrapassar vales e montanhas cuja dimensão e altitude eram escolhos (quase) inultrapassáveis. Por mais razão que lhe assistisse. Acabou por cair sem honra nem glória e envolto em denso nevoeiro com a Liga a atingir patamares impensáveis. Encontrada um solução de compromisso com o Benfica e FC Porto como pesos-pesados para salvar o que ainda restava, com uma pessoa com provas dadas, logo o presidente do Sporting se apressou a declarar guerra pela megalómana razão de confrontar tudo o que fugisse ao seu controle, no que foi abençoado por variadíssimos opinadores e jornalistas. Provocação foi então a palavra mais usada. Para além de ter sido propagandeada, pelos mesmos protagonistas, a existência de uma aliança secreta entre os dois. O eco até chegou a alguns sítios ditos benfiquistas…

Recuperada a credibilidade da Liga em escasso tempo, (resolução do conflito com os árbitros, pagamento a fornecedores e conquista de novos patrocínios), o passo seguinte seria a convocação de eleições para normalizar uma situação de emergência. Luís Duque o rosto da recuperação, instado e pressionado por uma maioria significativa de clubes e tendo visto o reconhecimento do seu trabalho ser aprovado por unanimidade, manifestou a sua vontade de se candidatar. Mas outros valores se levantaram e o Sporting e o FC Porto (quem diria???!!!) levaram o ex-apitador Proença a trocar uma Vice-Presidência da Arbitragem na UEFA e a aceitar a presidência da Liga, o que não deixou de levar a um mundo de interrogações. O principal artífice da recuperação da Liga foi então sacrificado para termos o quê? Uma pessoa de que até ao momento nada se conhece de relevante na área aparte a viagem a Madrid para falar sobre a Liga Ibérica (???!!!) enquanto intramuros, a crispação subia e a indústria do futebol descia. Não só desvalorizou como não interviu como era sua estricta obrigação. Duas questões se colocam no imediato: a) Será para não ofender os seus patronos? e b) Se não é capaz e não tem nada de útil para apresentar, do que é que está à espera?










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