Ponto Vermelho
Missão cumprida
10 de Dezembro de 2015
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1. Concluída a fase de Grupos da Champions, é altura de fazermos uma abordagem sucinta ao desempenho da equipa benfiquista a qual, tem sido intensamente massacrada pelas mais diversas razões como aliás seria expectável, pelas imensas ervas daninhas que enxameiam e emporcalham a imprensa com a parcialidade das suas crónicas e comentários e os dichotes derivados da sua pequenez. Mas as coisas são o que são e não aquilo que querem que sejam, mesmo que o esforço seja acentuado para convencer a legião de distraídos e ingénuos que anda por aí…

2. Muito se tem dito e escrito acerca da equipa do Benfica e do exclusivo das ideias que o ex-treinador lá deixou. Depois de uma pré-temporada muito parecida com a anterior, a época que muitos querem resumir apenas e só aos jogos com o Sporting, teve diversas nuances que reflectiram a complexidade que resultou de um conjunto de alterações substanciais, desde a contratação de um novo treinador, às várias lesões traumáticas de jogadores-chave, passando ainda pela constatação de que o plantel revelava lacunas que não foram atempadamente colmatadas.

3. Por tudo isso e porque voltaram outra vez em força os prejuízos arbitrais domésticos que originaram percalços inesperados, não era de todo expectável que o Benfica, tomando como ponto de comparação as épocas mais recentes, conseguisse uma campanha vitoriosa na fase de Grupos da Champions, ainda por cima num Grupo que à excepção do nóvel representante do Casaquistão, tinha competidores de peso. As projecções apontavam na visão normal, para a fácil conquista do Grupo pelo Atlético de Madrid e para uma disputa para o outro lugar de apuramento entre o Galatasary e o Benfica ainda que com alguma vantagem para os turcos.

4. Desde que os jogos tiveram início, cedo se percebeu que, contrariamente ao costume, os encarnados tinham uma palavra a dizer. Se o jogo inicial resultou numa vitória contra o desconhecido Astana com algum grau de dificuldade de materialização, o seguinte concretizou uma surpresa agradável que foi ver os encarnados vencerem em Madrid o Atlético com uma exibição muito agradável e eficaz, um resultado que surpreendeu de alguma forma o mundo do futebol tendo em conta que os colchoneros há muito que não sabiam o que era serem desfeiteados no Vicente Calderón.

5. Esse resultado deu ânimo e fortaleceu ainda mais o objectivo de lutar pelo apuramento, sendo que a derrota tangencial em Istambul e o empate no sintético de Astana não foram de molde a hipotecar as possibilidades dada a sequência de resultados anteriores. A luta pelo primeiro lugar no grupo ficou assim circunscrita aos dois emblemas da Península Ibérica, sendo que o Benfica por jogar em casa e por lhe bastar o empate estava, à partida, em posição mais favorável para almejar esse desiderato.

6. Devemos começar por dizer que o resultado e a conquista do grupo pelo Atlético de Madrid foi uma consequência natural da conjugação de diversos factores. Desde logo porque os madrilenos possuem um plantel mais forte e mais equilibrado em todos os seus sectores, o que os tem levado a campanhas quer internas quer externas de grande significado. Depois porque, ao invés, o Benfica continua a demonstrar insuficiências que vêm ao de cima de modo flagrante neste jogos. Por outro lado ainda, o Atlético abandonou a sobranceria que o tinha de alguma forma caracterizado no jogo de Madrid e aplicou todos os seus recursos numa estratégia que acabou por ser bem sucedida. A eficácia que o Benfica demonstrou em Madrid acompanhou desta vez os colchoneros na Luz, sendo que aproveitaram de forma oportuna os erros que o Benfica cometeu.

7. É verdade que o Benfica poderia perfeitamente ter chegado ao empate que se justificava pela demonstração de força e garra patenteadas ao longo dos últimos 20 minutos. Mas numa análise serena e fria não custa reconhecer que o Atlético de Madrid no conjunto dos dois jogos demonstrou maior potencial e uma maior variedade de soluções fruto de possuir nos seus quadros mais jogadores de classe. Mas importa também reconhecer que o apocalipse que alguns vaticinavam para o Benfica esteve longe de se concretizar. Pelo contrário, a equipa com todas as suas virtudes e defeitos esteve à altura dos seus pergaminhos. Lá para Fevereiro chegam os oitavos-de-final. Espera-se adversário de gabarito e isso é, por si só, um desafio entusiasmante, tendo em conta que nada há a perder. Seja quem for, estamos convictos que o Benfica, dentro das suas possibilidades saberá estar à altura dos acontecimentos.






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