Ponto Vermelho
Falsas retóricas
19 de Dezembro de 2015
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1. No futebol que nos é servido não há lugar para marasmos. É nesse contexto sempre renovado que tivémos mais uma semana bem animada dentro e fora do campo, sendo que alguns articulistas fizeram questão de nos servir mais uma vez doses de demagogia à la carte, uma questão que cada vez mais está a fazer a lei nas falsas retóricas que diariamente nos impingem sem qualquer pudor, como se o mundo acabasse amanhã e se estivesse prestes a esgotar o crédito e a virtude das actuais vedetas que são levadas ao colinho para fazer furor na praça.

2. Não vamos cair na tentação de dizer que para toda essa gente tudo o que possa de alguma forma servir o anti-benfiquismo primário é bom. Seria demasiado redutor e mesmo banal, pois tudo o que é tão evidente de forma perene não justifica que se esteja sempre a bater na mesma tecla. A essência dos actos auto-justifica-se por si e renova-se em cada dia nos mais diversos tabuleiros, pelo que dispensa no actual contexto comentários adicionais. No entanto, é impensável ignorar a constatação de séries continuadas de verborreia porque isso, ao alimentar o espírito e a compreensão dos adeptos mais virados para a credulidade apenas e só porque vem nos jornais ou é dito nas televisões ou nas rádios, alcança os objectivos de forma bicéfala: aumenta as vendas e as audiências e garante, por mais tempo útil, a continuação das sagas.

3. Para quem persegue uma maior aproximação aos factos que possam porventura existir ou sejam inventados e não dispõe de possibilidades do contraditório, convenhamos que os tempos actuais não estão de molde a satisfazer-lhe os objectivos. Os vários meios de comunicação parecem ter feito um pacto que implanta nuvens densas no firmamento da informação a que todos temos direito, pelo que nesse capítulo poder-se-á afirmar, sem hesitação, que venha o diabo e escolha. Com todo esse circo montado qual gigantesca operação de marketing, os comentários e os escritos dos profissionais sérios, isentos, rigorosos e independentes (cada vez em número mais reduzido), diluem-se na vozearia da turba que inunda os palcos.

4. A semana que ora findou tem sido um fartote para o qual a principal equipa de futebol do Benfica também contribuiu ao assinar um resultado e uma exibição paupérrima no Estádio do nevoeiro que desta vez primou em conceder tréguas inesperadas. Isso foi o ponto de partida para novas doses de dislates em que alguns pensadores informativos cujo rigor, bom senso e independência são por demais conhecidos, insistem na tese do imediatismo atrabiliário para combater o Benfica, utilizando e forçando a supervalorização de armas alheias em que a floresta é esquecida em detrimento da árvore que na orla é agitada pelo vento agreste que agita sem cessar os seus ramos frágeis e caducos.

5. As imposições e vicissitudes do mercado como agora soi dizer-se, forçam a desvalorização e a falta de rigor informativo com o pretexto de que o advento da actualidade assim o obriga. E como vivemos num mundo de dependências obrigatórias que conduzem por vezes à retracção do próprio eu por questões da própria sobrevivência, até mesmo alguns de quem esperaríamos outra atitude e comportamento resvalam para patamares indesejáveis. Os exemplos infelizmente têm vindo a crescer, não sendo expectável nos tempos mais próximos que essa evidência venha a ser estancada.

6. Partindo de meros indícios ou factos comezinhos sem grande significado, são construídas estórias mirabolantes recheadas de deficiências de construção e interligação para quem está mais atento, em que o que verdadeiramente interessa é o fim em si e os alvos a atingir. A verdade factual é esquecida e os considerandos intermédios sabiamente administrados. Dando exemplos, quando um jornal outrora de referência como "A Bola" ao abrigo da guerra das tiragens e audiências insiste na estratégia de empolar incendiários com o argumento (risível) do seu Director de que apenas discorda da forma e do estilo não há muito mais a dizer. O "Record" que há muito segue essa linha de jornalismo agressivo e empolado já não surpreende, pelo que concluiríamos com uma nota de humor: há muito que não nos divertíamos tanto como com o artigo de hoje neste último órgão do intrépido defensor da verdade desportiva, Santos de seu nome. Há que conceder mérito à imaginação pois não está ao alcance de todos…








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