Ponto Vermelho
Questões reflexivas
22 de Dezembro de 2015
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1. Sabemos todos que o futebol profissional é de longe a principal actividade desportiva em Portugal e na esmagadora maioria dos Países do Mundo e concentra, por larga margem, as atenções dos amantes do desporto. Assim sendo, no velho continente, os clubes que foram surgindo elegeram-no como pivot das suas actividades, o que significa que nos clubes ecléticos, salvo excepções, tudo o resto depende em grande parte do seu sucesso ou infortúnio. Os mais proeminentes Clubes portugueses não fugiram à regra e concentraram a parte do leão no fomento do futebol como suporte de todas as restantes actividades, incluindo as modalidades ditas amadoras, a logística e o sector administrativo.

2. É pois uma estrutura algo complexa, porquanto em termos de planeamento tudo em boa parte está dependente das performances da equipa de futebol, das bolas na trave, das salvas em cima da linha de golo, dos penalties convertidos ou não, dos foras-de-jogo bem ou mal assinalados, em suma da maior ou menor inspiração dos jogadores e ainda, um factor que convém não menosprezar – o factor sorte, seja nos sorteios e calendários, nas lesões próprias ou dos adversários ou ainda nas incidências dos próprios jogos que podem ser decisivas ou madrastas consoante os casos e as circunstâncias. Ou seja, um clube que não se organize para tentar minimizar o impacto dessa importante vertente, corre o sério risco de andar permanentemente na corda-bamba, sendo que mesmo assim haverá sempre aspectos que não consegue prever ou controlar.

3. Todavia, a forma organizativa que conduziu a esta situação e que têm a ver com a ineficácia e desinteresse por parte do Estado que sempre olhou o desporto com indiferença, obrigou os Clubes a chegarem-se à frente. A prática do desporto que deveria começar a ser fomentada e apoiada na escola foi paulatinamente abandonada com a desculpa oficial de não haver meios financeiros num contexto continuado de crise, embora a realidade seja bem diferente. A desculpa da ausência de meios tem servido para esconder o desinteresse e a ineficácia que tem acompanhado os sucessivos governos nesta matéria.

4. Dir-se-ia, pois, que a falta de vontade política para implementar uma política concertada na área do desporto em toda a sua abrangência, forçou os Clubes a implementar o desporto na sua versão macro. Em boa verdade, se assim não fosse como já esteve por exemplo para acontecer no Benfica (e não só), o ecletismo tal como hoje sucede não existiria, o que emprestando alguma dose de especulação seria o caos no panorama desportivo português, com implicações na educação, na saúde e no crescimento saudável de milhares de jovens que deixariam de ter alternativas viáveis.

5. Esta opção dos clubes com escassos apoios estatais com a qual concordamos em termos gerais por existir um evidente deserto de alternativas válidas, tem custos elevadíssimos apesar do esforço dos mesmos em encontrar patrocínios para dar expressão às diversas modalidades. Porque a nível dos grandes clubes a questão é sempre mais assertiva na medida em que não basta ter uma equipa a competir, – é necessário que a mesma esteja em consonância com os pergaminhos do clube que representa, isto é lutar sempre pelo lugar mais alto do pódio. Não sendo isso sempre possível porque há mais gente com o mesmo intuito, os julgamentos dos media, dos adeptos e da opinião pública são por vezes incompreensíveis e demolidores.

6. A diversificação de interesses conluiados com o excesso de clubite aguda e a omissão do Estado, tem levado a que o desporto não seja, bastas vezes, encarado numa perspectiva saudável mas sim como um campo de batalha permanente com combates diários, em detrimento da busca do objetivo em que a harmonia e o respeito mútuo pudessem ser encontrados, sem que isto deixasse de significar pluralidade de ideias e diversificação de opiniões e de pontos de vista. A fixação de um objectivo que reflicta consensualidade é por si só desafiante e motivador. Há pois que, a pouco e pouco, tentar alterar a mentalidade dominante que tem castrado o desenvolvimento. Isso passa, em grande parte, pelos fazedores e divulgadores de opinião, sabendo-se a influência que detém. É preciso que a mensagem, pró-activa e despida de crispação vá chegando aos olhos e aos ouvidos dos adeptos e da opinião pública pois sem isso nada feito!








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