Ponto Vermelho
Análises perto do delírio
31 de Dezembro de 2015
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1. Os recentes desfechos que culminaram com o estabelecimento de contratos de longo prazo entre o Benfica, Sporting e a NOS e o FC Porto e a Altice/PT, têm dado lugar às mais desencontradas análises e opiniões, algumas das quais enquadradas no habitual bas-fond jornalístico e de redes sociais que têm animado as tertúlias e provocado crispação entre adeptos, em particular aqueles que não se dão conta dos objectivos que estão por detrás desses exercícios que mais não visam do que estabelecer a confusão. Essa é uma das razões que os move nos tabuleiros em que se movimentam; a outra, infelizmente, é a ignorância.

2. Os balanços deverão ser sempre feitos à posteriori com o distanciamento conveniente para que as análises possam ser despidas de emoção e por isso mais racionais e objectivas. A decisão do Benfica e do seu presidente de romper com a ditadura da Olivedesportos no tocante à exclusividade dos direitos televisivos centralizando-os na televisão do Clube e que na altura causou alguma celeuma e até mesmo enorme cepticismo, poder-se-á dizer a toda a esta distância que acabou mesmo por ser uma autêntica pedrada no charco. Para o Benfica em si mesmo e, como agora se constata, para os outros clubes e para toda as envolventes do futebol português. Pena que o assunto não seja, para já, mais abrangente, mas os últimos desenvolvimentos permitem algum antever algum optimismo.

3. A despeito do ineditismo em todo o Mundo e das críticas ferozes que se abateram sobre o expectável (para eles…) parcialismo das transmissões e dos comentários subjacentes por parte dos nossos principais adversários, a realidade tem falado por si e dispensa comentários, o que se abona a favor do profissionalismo, da isenção e da verticalidade dos profissionais envolvidos que estão todos de parabéns. A despeito de todas essas vertentes favoráveis e elogiáveis e do alargamento a outros campeonatos, a BTV nunca deixou de ser a televisão do Clube pelo que, mais tarde ou mais cedo, seria previsível que a mesma regressasse ao objectivo fulcral para que foi criada; a divulgação prioritária do que diariamente se passa no Clube, das suas múltiplas actividades e dos vários escalões das modalidades e sectores de Formação.

4. Chegou agora a hora e a oportunidade e desde logo resultaram indícios claros que o mercado das transmissões iria sofrer modificações acentuadas, depois do marasmo e do faz que anda mas não anda por parte dos últimos presidentes da Liga, sendo que o último acabou por trocar um lugar na UEFA onde a sua competência o fazia estar confortável por uma aventura onde as sereias cantaram mais alto, prejudicando ostensivamente assim o futebol português. O Benfica foi mais uma vez pioneiro, apontou o caminho e fez mexer o mercado, abrindo assim a porta aos outros que até aí não tinham conseguido mais do que expectativas…

5. O acordo estabelecido com a NOS foi o acordo possível tendo em conta que resultou de uma negociação com base na realidade do futebol português. Face aos dados divulgados afigura-se-nos, à partida, um acordo bastante aceitável para as partes. A possibilidade de se estender até 10 anos deu outra espectacularidade aos montantes envolvidos, e enquadra-se no preço reclamado há já algum tempo pelo Benfica. Por aí nada de anormal nem transcendente, muito embora os habituais especialistas que, qual candidato a Belém peroram sobre tudo de forma superficial, se tenham entretido a tecer considerações sobre um tema que não conhecem em profundidade.

6. Na linha de montagem seguiu-se o FC Porto com a Altice/PT e o Sporting com a NOS, com o estabelecimento de contratos que tendo alguns pontos de contacto, parecem ser bastante diferentes em alguns pontos, por certo fruto da conjuntura, das circunstâncias, e evidentemente do peso de cada clube. Cada um tentou, por certo, negociar no pressuposto de obter as maiores vantagens possíveis. Mais uma vez imperou a normalidade negocial dentro do evidente impacto que contratos desta natureza e dimensão sempre provocam nos adeptos e na opinião pública.

7. Foi no entanto hilariante para não dizer antes triste e deprimente, observar algumas das análises que se seguiram. Em vez de se centrarem nos dados (escassos) que conheciam dos contratos em si ressaltando vantagens e inconvenientes, a primeira (e única???!!!) grande preocupação foi tentar comparar os contratos na perspectiva imediatista de fazer notar qual era o melhor e o mais vantajoso, matéria nada inocente sabendo-se a envolvência dos clubes em presença. Daí resultaram análises enviezadas que lançaram ainda mais dúvidas nos menos atentos em vez de contribuirem para o seu esclarecimento. Se dúvidas ainda existissem no espírito de alguns crédulos, ficou assim cabalmente demonstrado que a imprensa habitual não pretende mais do que manter o estado de crispação no futebol. Percebe-se obviamente porquê…

P.S. - Aproveitamos o ensejo para desejar um magnífico 2016 a todos os verdadeiros desportistas e, como é natural, aos milhões de benfiquistas espalhados pelo Mundo e muito em particular pela diáspora.






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