Ponto Vermelho
O que esperar de 2016?
3 de Janeiro de 2016
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1. A avaliar pelo que os políticos nos prometeram e pelo que os profissionais fazedores de opinião principescamente pagos nos sopraram ao ouvido nos jornais, nas rádios e nos vários canais televisivos, seria suposto que a crise que apareceu sem avisar pois nem mesmo os insignes pensadores que tudo prevêem depois de acontecer, lhes terá passado pela cabeça que a espiral de consumismo favorecida e fomentada pelos outrora arautos da espinha dorsal da Nação sem que o poder político interviesse (ah, pois é, o mercado a funcionar…), viesse a redundar num absoluto e controverso fiasco que arrastou para as ruas da amargura as empresas e os cidadãos, minou a confiança e reduziu e hipotecou as possibilidades de um futuro melhor.

2. O espantoso é que as vozes de alguns mais avisados foram completamente ignoradas e os que deviam garantir a sustentabilidade acabaram por soçobrar perante o desplante do fartar vilanagem ampla e generosamente instalado na sociedade portuguesa aos mais diferentes níveis. Ainda se ao menos pudéssemos confiar em alguém estaríamos por certo mais descansados, mas pelo que se tem visto, quem devia fiscalizar não o fez (pelo menos com um nível aceitável de eficácia) e o poder político em todos os escalões assobiou alegremente, acabando por agravar o embuste que está agora bem à vista de todos. Com as consequências que se fazem sentir.

3. Como esta problemática não é nova, esperar-se-ia uma actuação rápida e eficaz dos diversos responsáveis de molde a que a conjuntura que se agravou de forma particular nos últimos anos fosse reposta dentro das possibilidades possíveis, demonstrando assim aos portugueses tão sacrificados que a génese do problema não só tinha sido detectada como, a partir daí, as perspectivas de virem a acontecer novas catástrofes seriam diminutas. Para além da justiça dever ser célere na punição dos responsáveis para provar aos cidadãos que a culpa não tinha quaisquer hipóteses de morrer solteira. O que observamos, por um lado, é que são seleccionados alguns alvos que pelo seu impacto podem impressionar a opinião pública, mas ficam de fora muitos dos responsáveis com culpas no cartório como se a centralização dos desmandos se concentrasse numa meia-dúzia mais mediática.

4. Bem sabemos que a vida é feita de constante mudança, mas existem sectores nevrálgicos como por exemplo a banca que, face aos sucessivos acontecimentos, tem que tem que ter sobre si, de forma permanente e exaustiva, os olhares vigilantes de quem tem a responsabilidade de assegurar a sua adequada fiscalização, só criando entraves e actuando de pronto em actividades que não se enquadrem nas regras do seu funcionamento. De facto, ao cidadão comum, causa estranheza e a mais profunda preocupação como é que uma tão vasta teia de controle e supervisão tem dificuldades em detectar irregularidades gigantescas na gestão de um qualquer banco. A lista sempre foi extensa (dupla de auditores –internos e externos -, Banco de Portugal e CMVM), a que se juntou a Troika e, actualmente, para além dos atrás referidos, o FMI, o Banco Central Europeu e os seus tão apregoados testes de stress

5. Esta debacle da banca e muito em particular do ex-BES, face à intervenção que tinha no mundo do desporto e no futebol em concreto quer a nível da publicidade, dos apoios que garantia e muito especialmente no financiamento aos principais clubes, teve como consequência primeira uma diminuição brutal na capacidade destes na sua gestão corrente e no investimento nomeadamente na formação, tarefa que deveria ser apoiada e fomentada pelo Estado mas sobre a qual tem feito orelhas moucas. Nunca é tarde para encetar a viragem mesmo que os meios sejam escassos. Basta ser forte a vontade política de o fazer. O trabalho alargado de base deveria ser uma prioridade com o estabelecimento de metas exequíveis sem posteriores recuos sempre que haja mudança de tonalidade no Governo. É nisso que acreditamos seja possível como tarefa primordial para 2016. Que assim seja.










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