Ponto Vermelho
Nada de novo cá no burgo…
6 de Janeiro de 2016
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No início de mais um ano mais do mesmo; empolamento, demagogia a rodos, falas-barato no topo das audiências, especulação desenfreada, aumento dos serviços incluindo das operadoras de comunicações, e até dos órgãos de informação. O que significa que temos que pagar mais caro devido aos contratos ditos milionários daquelas empresas com o futebol, bem como ler ou ouvir as constantes notícias fidedignas cuja oferta é diariamente muito variada. Isto é claro se estivermos dispostos a contribuir e a alimentar o peditório incessante com que nos brindam, pois alguém disse uma vez que "felizes aqueles que vivem na ignorância…" Nem tanto ao mar…

As barreiras da informação e da contra-informação registam, em alguns casos, aspectos sui-generis e até mesmo doentios. De tal maneira é intenso o despique e a procura de maior relevância de cada uma das teses em equação, que o cidadão que não tenha acesso a terceiras vias está condenado de antemão a ficar permanentemente com o espírito confuso e baralhado. Uma consequência directa dos novos tempos… Daí cada vez mais o alarido por coisas de escassa importância social mas que, bem trabalhadas e sabiamente manipuladas originam caixas e discussões sem fim dias e semanas a fio… Um verdadeiro eldorado informativo ao ponto de muitos já não conseguirem viver sem isso, pois isso esgotaria o argumentário no café nessa noite ou no local de trabalho no dia seguinte…

No desporto com particular incidência no futebol não é diferente, pelo contrário. Valendo-se do seu mediatismo, novelas com fracos argumentos são alimentadas até à exaustão e como o tempo de antena é longo e variado, fica desde logo a certeza que resulta em mais um sucesso diário e/ou semanal. Em todos os órgãos com diferentes protagonistas, os quais aproveitando a oportunidade não perdem o ensejo de defender a sua dama mesmo que isso implique inverdades, insultos, linguagem rasca e programas a roçar a mediocridade. Consensos e conclusões por norma nunca há, o que revela um enorme deserto entre as diversas posições necessariamente extremadas como convém aos mentores de tais programas.

Há uma tendência crescente para o aparecimento de nóveis demagogos que beneficiando da conjuntura descrita dão largas à mediocridade do seu pensamento. Poderão dizer os mais incríveis disparates, poderão estar de forma constante a fomentar divisões e a gerar ódios entre os seus e nos outros, que haverá sempre figuras proeminentes do mundo da comunicação social que lhes concede generosamente guarida e os incentiva a prosseguir nessa cruzada maléfica contra o bom senso e a estabilidade, pois isso serve, e de maneira, os seus próprios interesses. As teses que bolsam sem cessar são hipervalorizadas como se de repente tivessem descoberto vários paióis de pólvora, e assim fica assegurada a conjuntura que mais interessa. Curioso mesmo são depois as lágrimas de crocodilo derramadas…

O que interessa e é valorizado quase nunca corresponde aos verdadeiros interesses de todos. Veja-se, por exemplo, a panóplia de interesses cruzados que obstaram a que uma das grandes batalhas do antepenúltimo presidente da Liga tivesse vencimento em tempo útil, leia-se ainda durante a vigência do seu mandato, – a eventual centralização dos direitos televisivos. Afinal, como se constata, tal era perfeitamente possível respeitando a importância e o peso de cada um dos clubes. Por falta de bom senso e razões egoístas da parte de alguns Clubes esse desiderato estava condenado de antemão dado que na actual conjuntura sem uma intervenção administrativa do Estado tal seria impossível.

Não se estranhou por isso que perante esse cenário, o Benfica tenha de novo avançado arrastando os outros para a negociação separada, com o apuramento das consequências a ser feito mais tarde em jeito de balanço, pois por ora é demasiado cedo para as conclusões que apressadamente alguns, para marcar posição, têm feito. Mas mesmo aí e face às evidências, o único interesse verdadeiro foi enfatizar o montante total esquecendo o horizonte temporal e as parcelas que lhão origem. Minudências próprias de quem está auto-convencido que as grandes massas são necessariamente acéfalas… e que as minorias com pensamento próprio estão condenadas a ser trucidadas. Como já aconteceu em tantas e tantas ocasiões, o tempo imparável dar-nos-á a conhecer a verdade e a real essência das coisas. Para que conste.








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