Ponto Vermelho
Volatilidades
6 de Fevereiro de 2013
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Nenhuma dúvida nos resta que a mente dos homens é extraordinariamente volátil. No desporto e em particular no futebol, o facto da grande maioria das opiniões ser expendida sem estar desligada da paixão (nos dois polos), implica que as ondas possam mudar repentinamente de sentido, bastando para isso qualquer alteração mesmo que muito ligeira, da direcção do vento. Tem sido uma ocorrência de sempre, pelo que não será de estranhar que isso continue a acontecer no nosso quotidiano. Até porque vivemos numa época em que o marketing através de campanhas agressivas dita as suas leis, porquanto ainda existe muita gente que se deixa embalar por coisa nenhuma… Faz parte, aliás, das regras do jogo.

O facto do FC Porto e Benfica rapidamente se terem distanciado dos demais, se perfilarem como únicos candidatos aos dois primeiros lugares do pódio da principal prova e estarem a ultrapassar (com relativo à vontade) paulatinamente os sucessivos obstáculos que se lhes têm deparado, esmoreceu o interesse que passou a estar centrado única e simplesmente nas duas equipas e na avaliação de possibilidades de qual seria a primeira a perder pontos. Uma boa parte, antecipando o futuro, entende que o jogo será decidido no clássico entre ambos na penúltima jornada da prova. Outra considera que o perigo espreita a cada esquina e a mais ligeira distracção poderá levar à perda de pontos que, da forma como o campeonato está a decorrer, poderia constituir um atraso irremediável. E finalmente, a mais pessimista que opina que a 3ª equipa só ameaçou e ainda não fez a sua aparição no campeonato

Enquanto todas as expectativas são admissíveis e legítimas, vamo-nos entretendo com nuances em que se promove uma ou outra equipa à medida do equilíbrio que se torna imprescindível manter para que as hostes e a opinião pública se mantenham animadas. Isto aplica-se apenas a uma parte dos opinion makers, atendendo a que a constituída pelos freteiros e equipados a rigor vai fazendo o seu papel de veicular as opiniões e as notícias que interessam mais às suas cores. Quer enaltecendo os feitos da sua equipa quer denegrindo o adversário (quiçá inimigo), pois essa vertente também serve de apoio às teses que perfilham. Afinal cada vez mais o futebol se joga fora das quatro linhas...

Ainda muito recentemente eram entoadas loas à equipa do Benfica que praticava o melhor e mais espectacular futebol do campeonato e era sério candidato a ocupar o 1º lugar no final. Depois, sobretudo após a realização do clássico, a equipa do FC Porto conquistou o prémio da equipa com maior consistência e, após a golpada do adiamento estratégico do jogo de Setúbal, ao vencer o Gil Vicente e o V.Guimarães com a facilidade que os números deixaram transparecer, transformou-se no único candidato a vencer a Liga, pois é uma equipa melhor do que o Benfica que é uma equipa apenas muito boa. Isto faz-nos recordar o anúncio que fez escola de que eu que sou profissional até acho graça...

Poderão argumentar os autores desses pensamentos que a equipa azul e branca atingiu provavelmente o pico da forma, enquanto a do Benfica com maior desgaste dado o calendário e o número de provas em que está envolvido, caminha para o sentido contrário e sujeito a um enorme conjunto de aleatoriedades, como sejam o cansaço, as lesões (nunca se sabe quando pode aparecer um qualquer Lucas pelo caminho...), as expulsões, as baixas de forma, as viagens através do Atlântico ou, finalmente, aquele fenómeno de todas as épocas que alguns fingem que não existe, outros que sabendo que é real dele se aproveitam e, por último, uma grande maioria que sabe que existe, tem sofrido os seus efeitos nocivos mas ainda não o conseguiu extirpar. O que prova duas coisas: a) O seu profundo enraizamento em todos os extractos da sociedade, e b) Que minorias aguerridas e organizadas ainda continuam a conseguir levar a água ao seu moinho.

Seja como for temos registado esta imensa volatilidade de opiniões talvez influenciadas pela máxima que diz que o futebol é o momento. E neste particular bastou que os portistas tivessem obtido duas goleadas com circunstâncias especiais, para que houvesse desde logo uma decisão sobre o vencedor antecipado do campeonato. Parafraseando Vitor Pereira na temporada anterior no pós Barcelos, o melhor será entregar as faixas à outra equipa. Sabe-se perfeitamente no que deu. Não deixa de ser estranha a ligeireza com que até alguns mais atinados encaram esta problemática, mas não se nos afigura que no presente estado de circunstâncias essas previsões venham a ter qualquer efeito perverso nos encarnados.

Temos seguido com inusitada curiosidade, os excelentes negócios que a SAD do FC Porto tem feito desde sempre. Aliás, a profusão de compras e alienações de percentagens de jogadores a empresários, a fundos e a empresas offshore algumas situadas em paraísos fiscais, parece estar em permanência na matriz azul e branca e estamos em crer que a CMVM deve provavelmente ver-se aflita para conseguir acompanhar tão enorme fluxo de transacções que estão associadas a esses negócios. Já sem falar do imenso trabalho causado ao próprio Departamento de Contabilidade da SAD. Ainda agora depois de mais um festival de compras e recompras, só com James Rodriguez a décalage terá ultrapassado os 6 milhões de euros, afinal nada de significativo para uma organização que prima em ser de sonho. É claro que isto é apenas e só mera curiosidade, porque a preocupação, se a houvesse, incumbiria aos accionistas e aos sócios azuis e brancos...






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