Ponto Vermelho
Dissertações intelectuais à moda de Alvalade…
9 de Janeiro de 2016
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1. Cada vez se acentua mais a mediocridade, a hipocrisia, o vale tudo para fazer prevalecer os interesses pessoais e de grupo, mesmo que isso obrigue a golpes baixos, à completa falta de senso e a ultrapassar todas as barreiras possíveis e imaginárias. O mais lamentável de isto tudo é que aos protagonistas que já existiam se juntaram novos cristãos, sendo a situação tão previsível que a percentagem de não vir a acontecer a miséria actual em que nos situamos muito próximo do zero, era quase impossível.

2. O tema tipo pastilha-elástica que tem animado as redacções, as tertúlias e as conversas de café desde a pré-época não dá mostras de abrandar. Tudo porque a inveja que sempre campeou em Alvalade se tem acentuado com o adepto-presidente, a que foi acrescentada esta época a novelesca aquisição de Jorge Jesus no tudo por tudo para impedir o tri-campeonato encarnado. E como já lá existia o fiel escudeiro Inácio, bastou apenas acrescentar o palmelão Octávio, o tal que queria desesperadamente voltar ao futebol e que se gaba de saber que nós sabemos que ele sabe… mas não quer dizer… Temos que convir que é um quarteto vocacionado para a guerrilha, a rivalizar com o antigo velho protagonista do nosso futebol (o major Valentão…) com o seu imortal quantos são, quantos são?...

3. Está hoje bem claro que Jesus passou os melhores anos da sua vida futebolística na Luz onde, convém referir, chegou com menos currículo do que actual treinador encarnado. Vitória chegou com 42 anos e, nessa idade, andava Jesus a percorrer o país por caminhos secundários com paragem em Felgueiras. Foi-lhe concedida a oportunidade da sua vida aos 53, no Benfica, com um contrato de 2 anos, do qual só aproveitou 50% apesar do vento rumar a favor. Mesmo assim, foi-lhe dada oportunidade para desempatar com a renovação por idêntico período que desbaratou, a despeito de plantéis de luxo para a realidade de então do futebol português.

4. Importa mencionar que, contrariamente à lógica que devia prevalecer face a meio-sucesso, os seus proventos subiram em flecha chegando a ser provocatórios se tivermos em conta a crise que então eclodiu no Mundo e em particular em Portugal. Como posteriormente veio a justificar já no seu novo poiso, os seus descontos eram a sua contribuição para aqueles que desesperavam por um emprego mesmo que fosse com o salário mínimo… Mas se passou a receber foi porque a sua entidade patronal acedeu, pelo que o efeito de crítica perversa se esboroa, excepto se para aí chegar tenham sido, na altura, evocadas outras propostas apresentadas como mais atractivas…

5. A sua performance no biénio saldou-se por um completo fiasco, que se completou com os terríveis 12 dias de todas as derrotas com epílogo na final da Taça de Portugal, por coincidência com aquele que havia de ser o seu sucessor. Como se isso não bastasse, aconteceu a rábula no final com Cardozo e o enxovalho inadmissível que sofreu nas escadas do Jamor por alguns que agora não se cansam de dizer que foi um erro ter sido um erro que ele saísse do Benfica. Pois é, a vida dá muitas voltas e a memória de repente fica omissa…

6. Quando quase todos lhe apontavam o caminho de saída, LF Vieira num acto de coragem mas de grande risco renovou-lhe mais uma vez o contrato, fazendo com que Jesus se tornasse num dos treinadores com mais anos consecutivos de Benfica. Se tal não tivesse acontecido, de que Jesus estaríamos agora a falar? É que mesmo tendo em conta o sucesso dos últimos anos, em jeito de balanço o mais frio possível, poder-se-á dizer que o saldo não passou de satisfatório tendo em conta a conjuntura e todos os importantes detalhes que contribuíram para que tivesse êxito. São factos comprovados por si mesmo e não pela sua prosápia habilmente empolada de forma constante por si e pelos seus vários pontas de lança na comunicação social. E não só…

7. Para um treinador que não passou de suficiente mais em duas décadas de profissão, percebe-se que o Benfica o tenha marcado e dele sinta saudades. E que revele nostalgia. E que interiormente ainda não se tenha desligado. Isso são tudo manifestações que o Homem, qualquer homem, tem dificuldade em ultrapassar. Nem sequer vamos agora recordar a infindável série de cenas épicas que Jesus foi protagonizando ao longo do seu consulado encarnado que envolveu gente tão diversificada interna e externamente. O que queremos referir, isso sim, é que não estamos dispostos a tolerar comportamentos rascas que se agravaram, muito provavelmente porque se sente incentivado pelo meio ambiente. Jesus, a despeito do seu comportamento primário e recorrente, dispunha, apesar de tudo, de algum capital de confiança junto dos adeptos encarnados, mas com as suas últimas atitudes intoleráveis e de total desrespeito pelo seu treinador, pelos dirigentes e pelo Clube que o catapultou para a ribalta, esse saldo, a paciência e a tolerância, esgotaram-se de vez…






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