Ponto Vermelho
Espanto previsível?…
12 de Janeiro de 2016
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1. Prossegue, em bom ritmo, o banzé sobre tudo, até mesmo por aquilo que não vale um tostão furado. Não era de espantar que estando tanta coisa em jogo esta época, o objectivo fosse o matraquear constante tentando vender o produto mesmo que ele fosse uma falsificação de péssima qualidade. A tudo têm deitado mão desde que isso possa obstar a que o Benfica conquiste o tri-campeonato. É a nova estratégia de Alvalade. E não apenas…

2. E, no entanto, a experiência tinha sido abundante nas últimas três décadas que, depois invertida de algum modo a sua escalada, devia servir de lição para o presente e para o futuro. Não foi isso, todavia, o que aconteceu. É inquestionável que uma boa parte dos portugueses por força da sua bonomia congénita têm uma tendência irresistível para o abismo e para a auto-destruição, porquanto o seu objectivo não é tanto construir de forma entusiasta, mas antes impedir as tentativas que uma minoria cheia de energia e de vontade se esforça por levar por diante. Tem havido, de forma concreta uma contínua resistência à alteração de mentalidade e, por conseguinte, à mudança que urge.

3. O que se compreende de algum modo face à continuação em cena de muitos dos intervenientes do passado, mas que se estranha perante o aparecimento de alguns novos dirigentes que, a avaliar pelo seu modus operandi de originalidade nada têm, pois querem aplicar no presente, e se os deixarem no futuro, a cópia da velha fórmula que fez sucesso no passado por caminhos travessos. Só que, mau grado toda a sua vontade e energia e a intensa mobilização de lacaios devidamente industriados, estão condenados de antemão ao insucesso na medida em que a sua estratégia é frágil e demasiado previsível. Apesar do alarido que anda por aí que os faz parecer muitos mais do que aquilo que realmente são…

4. A velha teoria que aponta aqueles que deixam fazer, tão culpados como aqueles que fazem, não deixa de ter neste contexto, plena razão de ser. Foi assim nos últimos decénios e continua a ser assim nos tempos actuais. O poder político tem passado ao lado do futebol com quem parece nada querer, e os sucessivos dirigentes que têm demandado as Associações Regionais, a Liga e a Federação não conseguiram ou não quiseram pura e simplesmente intervir, o que deixou caminho livre a dirigentes clubistas de meia-tijela para engendrarem estratégias próprias do interesse pessoal e de grupo, fazendo prevalecer a influência que detém noutros que por força de andarem com as calças na mão em permanência tornam-se presas dóceis e altamente permeáveis à satisfação dos interesses dos mais poderosos.

5. Exemplo sintomático foi o da eleição do Presidente da Liga de Clubes em que um ingénuo e convencido Bruno de Carvalho estendeu a passadeira azul por onde passeou Pinto da Costa a caminho de mais uma vitória estratégica. Foi um flagrante sinónimo da hipocrisia elevado ao seu expoente máximo, se lembrarmos a unanimidade pouco antes subscrita por todos os clubes que tinha consagrado elogios pelo trabalho desenvolvido pelo anterior presidente. Por aqui se viu em que águas lamacentas continua a navegar o futebol português e quais as perspectivas que se colocam no imediato. Acentuam-se os pontos de interrogação e várias das críticas e apelos ao bom senso soam claramente a falso e a hipocrisia.

6. Se aos mais atentos há muito que não restam dúvidas, começa a crescer a convicção até nos mais desenquadrados, que o futebol português precisa urgentemente de uma liderança efectiva que consiga pôr ordem na mesa. Não podemos, de forma nenhuma, continuar nesta escalada sistemática de violência verbal e de ofensa pessoal originada por pessoas cujo equilíbrio, bom senso, educação e respeito (mesmo que mínimo) pelos outros, deixa muito mas mesmo muito a desejar, numa sociedade que se pretende civilizada. Se tudo podem fazer e tudo podem dizer sem que ninguém com responsabilidades intervenha, então corremos o sério risco da eclosão de conflitos graves que tenderão a radicalizar-se ainda mais. Quem o faz já todos sabemos, e quem o devia evitar do que é que está à espera?








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