Ponto Vermelho
A verdade manipulada…
14 de Janeiro de 2016
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Por ser uma evidência da actualidade, todos temos vindo a registar as diabruras do novo demagogo de Alvalade. Segundo a propaganda que jorra diariamente dos seus gabinetes e de alguma rapaziada cá fora, Bruno de Carvalho é já, embora com sinal contrário, o legítimo herdeiro dos Viscondes. Todos os Presidentes e todas as Direcções que lhes sucederam desde então, salvo honrosas e muito especiais excepções, foram incompetentes e deixaram muito a desejar na condução da gestão empresarial e desportiva, ao ponto do intrépido jovem e fogoso Carvalho conhecido pela intervenção decisiva que levou à falência as empresas em que participou, ser obrigado a promover um ajuste de contas público no que concerne às derradeiras gestões, com acusações não fundamentadas que ofenderam a família sportinguista. Sobre o assunto, os tribunais haverão um dia de pronunciar-se, pelo que até lá fica péssimo a um presidente em exercício antecipar julgamentos antes sequer de haver fase instrutória…

A experiência de vida de muitos de nós e a devoção e acompanhamento da causa desportiva levam-nos a concluir que não é de estranhar que qualquer propagandista de feira possa ter êxito e arrastar atrás de si massas toldadas pela emoção, pelo espírito clubista e pela perspectiva sonhadora de poderem vir a ganhar alguma coisa depois de tantos e tantos anos de jejum. Mesmo que noutro enquadramento, é manifestamente impossível não estabelecer um certo paralelismo com João Vale e Azevedo que ganhou projecção e seguidores com um simples rasgar de contrato. Infelizmente sabemos o que aconteceu e, porque respeitamos a Instituição Sporting que, coitada não tem a mínima culpa, fazemos votos para que, dentro do princípio ético de que não nos governamos com o mal dos outros, nenhuma hecatombe se abata sobre Alvalade.

Desde que se tornou conhecido por se ter candidatado à presidência do Sporting e em particular a partir do momento em que se sentou na cadeira mais ambicionada, que Bruno de Carvalho e os pares que o seguem sem pestanejar, que os bastidores do futebol português com roupagem falsamente nova, evoluiu na continuidade, leia-se com métodos semelhantes e objectivos iguais, i.e., a tentativa de domínio absoluto dos tabuleiros de forma a alcançar e prolongar-se no poder como Pinto da Costa fez nas três décadas anteriores. Se por princípio de ambição tal seria legítimo, deixa imediatamente de o ser a partir do momento em que os estratagemas, as mentiras despudoradas, as falsidades e manipulações e ainda a verborreia e a ofensa pessoal tomaram conta do seu discurso e do seu modus operandi.

Não sendo, todavia, a primeira vez que personagens deste jaez surgem na ribalta, a sua evolução estaria sempre subordinada à actuação de um conjunto diversificado de agentes que iriam desde os credores bancários aos órgãos competentes da Liga e da Federação, do M.P. e dos tribunais. Contudo, fica a convicção de que as estrelas se alinharam no firmamento para assinar por baixo as teses continuadas de banha-da-cobra que começaram, desde logo, com a pseudo-reestruturação do passivo bancário que já estava alinhada antes de demandar Alvalade e que consistia, como aliás haveria de continuar a acontecer, em empurrar os compromissos perante os bancos com a barriga para frente, com maturidades a perder de vista. 85,5 milhões das famosas VMOC’s passaram a ter um novo vencimento a 10 anos com uma taxa deveras aliciante (4%) só aplicável se porventura a SAD distribuísse lucros. Como isso está fora de causa, eis que mais um milagre de gestão aconteceu: a taxa a aplicar tem sido de 0% (zero)…

Mas, qual mago da gestão, os milagres não se ficariam por aqui. Como o fair-play financeiro da UEFA estava a apertar, eis que algo de extraordinário voltou a acontecer; a dívida de 20 milhões a Álvaro Sobrinho desapareceu como que por encanto e foi transformada em aumento de capital na mesma proporção… Verdadeiramente genial! Acresce que, para não sermos exaustivos ficamo-nos por mais 55 milhões de VMOC’s que se venceram agora. Como se sabe, já na anterior emissão não podendo o Sporting proceder à sua liquidação os bancos credores poderiam transformar-se em accionistas. Nunca foi essa a sua opção e daí a fixação de um novo (longo) prazo. Voltou agora a acontecer rigorosamente o mesmo.

Mas enquanto o Millenium BCP é privado, já o Novo Banco foi constituído com dinheiros públicos pelo que é estranhíssimo que enquanto pressiona e desespera junto de outros devedores para anteciparem o pagamento dos seus débitos, tenha uma actuação diametralmente oposta com a actual Direcção do Sporting, configurando para além de concorrência desleal (como entendemos Jaime Antunes…), uma delapidação de dinheiros públicos quando é público e notório que há milhares de clientes lesados e que aguardam desesperadamente por uma solução. Parece-nos claro que para esta decisão (tal como para as anteriores) terá concorrido de forma decisiva uma personagem importante do meio-bancário ligado ao Sporting e que, tendo sido membro da antiga Administração do antigo BES não perdeu influência. O espantoso no meio disto tudo é quererem fazer de todos nós parvos e imbecis. Por onde andam as Altas Autoridades que deviam estar atentas a tudo isto?








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