Ponto Vermelho
Considerandos sobre a 1.ª volta
17 de Janeiro de 2016
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Acabámos de entrar na 2.ª volta do campeonato. Uma maratona disputada em ritmo mais acelerado do que o costume fazendo até lembrar a Liga inglesa com jogos a meio da semana. Tal como muitos perspectivavam tudo está ainda em aberto, o que significa competição intensa no tocante ao ordenamento dos três primeiros que se perfilaram desde o início, dos que lutam por um lugar na Europa, e pelos que tentam desesperadamente não descer. Com toda a probabilidade, a luta será ainda mais acesa à medida que as jornadas entrarem na fase crucial da sua curva descendente.

Nada de novo tivemos se exceptuarmos o Sporting que se mantêm, por esta altura, na luta pelo título, uma situação que se tinha tornado irreversível nos últimos longos anos com o aproximar da quadra natalícia. Desta vez, fruto de um conjunto de circunstâncias em que o futebol é fértil, a equipa leonina não descolou dos outros dois candidatos. Ao invés, tem-se mantido na frente chegando a atingir uma vantagem confortável de 4 pontos sobre os mesmos o que não deixa de ser relevante se atendermos à experiência do passado. Todavia, por experiência própria, sabe-se que uma vantagem daquela amplitude em equipas treinadas por Jorge Jesus não é, por certo, garantia de coisa nenhuma. Vamos ver como sucederá desta vez.

Vários factores concorreram para que isso tivesse acontecido. Desde logo, no FC Porto tido como o clube que continua a dispôr do melhor plantel (realidade não comprovada), a insistência em Julen Lopetegui contra ventos e marés acabou por revelar-se desajustada. Pela repetição de erros próprios, por uma deficiente comunicação, e também por uma imprensa que prodigalizou encómios a Jesus. Definitivamente Lopetegui não caiu no goto dos abundantes paineleiros que gravitam por aí e, assim sendo, a sequência do trabalho e a empatia com os adeptos influenciados por essa rapaziada, foi deficiente e conducente a resultados que não estão de harmonia com os pergaminhos dos portistas. Mesmo aparte tudo o que sempre girou à volta dos sucessos obtidos.

Do ponto de vista específico interno (e da luz que ilumina ou conduz às trevas), o Benfica registou deficiências de programação na pré-época e isso, conjugado com a saída de um treinador que tinha batido o recorde de longevidade e a consequente entrada de um novo a que acresceram lesões prolongadas em jogadores nucleares, tinha que produzir necessariamente efeitos perversos. Já na época anterior e com muito menos constrangimentos se tinha verificado uma situação com contornos algo similares. Com a agravante de ter de enfrentar um calendário nada favorável e uma sequência de jogos com o rival de Alvalade que redundaram em fracassos. Sabendo-se como reagem os adeptos, não admirou que alguma instabilidade e desilusão se tivesse rapidamente instalado. São reacções imediatistas originada pela emoção e logo compreensíveis.

Por sua vez na Europa, o Benfica não só cumpriu o objectivo como até o excedeu tendo em conta as previsões. Alguns, a despeito do futebol ser sempre o presente ainda que com intenções futuras sempre subjacentes, apressaram-se a fazer comparações com o passado recente. Embora compreendendo o alcance não vemos que isso pudesse ajudar nessa fase, porque as circunstâncias diferiam e por isso não fazia sentido. Para Jesus só o campeonato e a Taça de Portugal (esta por razões afectivas) são importantes, ainda que a Taça da Liga tenha vindo quase sempre por acréscimo. E isso é curto, demasiado curto, para um Clube com o historial e as ambições do Benfica. A Europa deve ser o seu destino permanente, muito embora saibamos que as limitações actuais o possam impedir de atingir objectivos que foram corriqueiros até um passado não muito longínquo.

Muita água já passou por debaixo das pontes e ainda agora o Inverno chegou em força. A distância que separa os candidatos ao título permite, a cada um dos Clubes, sonhar que poderá atingir o ceptro mais desejado embora o Sporting pareça revelar a imagem inconstante do seu treinador. Tudo está em aberto dado que quando menos se espera sucedem resultados que configuram surpresas. E isso pode suceder a qualquer um dos candidatos, como aliás aconteceu ainda na última jornada, em que o actual líder cedeu inesperadamente dois pontos em casa perante o último classificado. Curiosamente, os mesmos dois pontos de que tinha sido beneficiado na jornada inaugural contra o mesmo adversário. Ironias do destino… Os próximos capítulos prometem, sobretudo a pressão que se irá abater sobre a arbitragem. Ainda mais...








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