Ponto Vermelho
Consequências inevitáveis
20 de Janeiro de 2016
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1. Muitas palavras têm sido gastas desde que começou esta saga inesgotável de protagonistas que aspiram ao poder absoluto, de colocarem no terreno estratégias enviesadas que têm conduzido à lamechice folclórica, ao excesso de linguagem, à verborreia e até mesmo à ofensa pessoal gratuita. Grita-se bem alto para os mais distraídos se irem convencendo paulatinamente da razão que lhes assiste, repetem-se as mesmas frases e os mesmos argumentos ocos e os mídia fazem o resto ampliando a preceito e extraíndo e estimulando os confrontos que mais lhes convêm. Não é uma situação original pois existe desde sempre, mas, até ver, talvez José Maria Pedroto tendo como fiel escudeiro e seguidor Pinto da Costa ainda que com outro registo, a tenham interpretado com maior realismo e eficácia. Pelo menos a avaliar pelos resultados que lhes servem de aferição.

2. Num país normal e num Estado de Direito zelador das suas leis, todas as estratégias são legítimas e aceitáveis desde que não as infrinjam e o confronto público estimulante e saudável, se paute por critérios objectivos mas consonantes com os princípios e costumes desse mesmo Estado. Se, diga-se de passagem, Pedroto fez isso com mestria, já Pinto da Costa aproveitando a maré política instável e permissiva que então se vivia excedeu largamente o aceitável, quer na fraseologia ofensiva e pessoal que repetidamente perfilhou em particular no seu maior pico de poder, quer no próprio modus operandi que foi a trave-mestra do castelo que construiu.

3. Sabe-se como são estas coisas; a constante recorrência de determinados actos e circunstâncias cria o fenómeno da habituação na opinião pública até mesmo quando os guardiões das leis e da justiça por razões quiçá muito diversificadas, se demitem de forma ostensiva de assumir as suas responsabilidades perante o País e os cidadãos. Tem sido caso recorrente em que as leis são promulgadas mas o seu cumprimento é remetido para as calendas. E até damos de barato o facto de muitas delas serem produto de outsourcings de firmas de advogados que as elaboram com armadilhas e alçapões para depois actuarem em outras vertentes…

4. Neste estado de coisas não era preciso ser bruxo para se aquilatar da bagunça que fatalmente se iria instalar. E, disso há sempre uma minoria a beneficiar em detrimento dos interesses da larga maioria. Nada de novo aqui, excepto o facto das composições do governo, da Liga, das Associações e da Federação se irem sucedendo a um ritmo vertiginoso sem que se vislumbrem melhorias e principalmente vontade política de começar a exorcizar os males congénitos que afectam, de modo profundo, todo o tecido social e desportivo. Não admira portanto que os novos protagonistas perante esta bonomia e inércia colectiva, se sintam desde logo tentados a protagonizar os mesmos procedimentos e até superá-los na perversidade. É que, paradoxalmente, a convicção que anda no ar é a de que o cumpridor é sempre o mais penalizado…

5. O contexto actual é bem ilustrativo desta situação. Pelo que se observa o conceito de liberdade é cada vez mais vasto e sem fronteiras, e mesmo o facto de colidir com frequência com a liberdade dos outros parece não constituir motivo suficiente para que haja intervenção de quem de direito que parece perfilhar a tese de que deixem-nos estar cómodos e sossegados e gozar tranquilamente os nossos gordos proventos. Isto baseia-se no facto de até ao momento não termos visto nada que não seja habitual suceder com a inércia a prevalecer. Ou então a levantar mais uns inquéritos com conclusões para papalvos e com prazo de validade a cair no esquecimento…

6. Mas mesmo com todo esse laxismo, a ser inteiramente verdade o que disse dito Bruno de Carvalho ao árbitro-auxiliar do Sporting-Tondela e repetido na AG leonina, algo tem que ser feito rapidamente pela Liga e pela Federação no sentido de apurar a realidade dos factos que, a confirmarem-se, são de uma gravidade extrema pois configuram um ataque vil e desprezível ao ser humano em si. E, a ser assim, reclamam a aplicação de um castigo urgente e proporcional à gravidade dos actos até pela forma recorrente, diríamos até diária, que o presidente leonino tem utilizado. Além de que, poderia servir de exemplo dissuasor para os restantes…








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