Ponto Vermelho
Algo de estranho…
26 de Janeiro de 2016
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Não é evidentemente um caso virgem pois tem acontecido amiúde e durante tanto tempo que, com toda a certeza, foi assimilado pelo mecanismo da habituação. E quando assim é, por mais que as estratégias e sobretudo a linguagem vil e desconchavada cresçam de tom todos os dias, a populaça acaba por se habituar e deixa de estranhar. O verdadeiro problema nasce da questão primordial das pessoas ou entidades competentes acharem o mesmo e não agirem em tempo oportuno ou mesmo ignorarem, fazendo-o apenas quando o clamor público se eleva ou alguma queixa surge para quebrar a sua inércia e quietude.

Durante anos, basicamente nas últimas três décadas, assistimos na coisa desportiva com particular ênfase no futebol, a verdadeiros atentados ao bom senso e ao Estado de Direito que nos devia proteger dos abusos. Embora haja destaques evidentes não se pode dizer que haja exclusivos, porquanto a partir do momento em que alguém envereda por esse tipo de despautérios e não é de forma célere travado nas suas intenções e objectivos, é certo e sabido que a sua actividade intensifica-se, sobe de tom, e são criadas ondas de choque que ecoam por outros tabuleiros e por outras personagens, que se julgam no direito de reclamar protagonismo. Foi assim, por exemplo, com Pinto da Costa desde o início.

A esse manifesto dolce far niente por parte de quem deveria estar atento e agir em conformidade, juntam-se os buracos e as insuficiências das leis e dos regulamentos. Não se nos afigura que seja por acaso. No entanto, apesar de todas essas vicissitudes legislativas, no actual quadro regulamentar há mecanismos suficientes para que os órgãos de disciplina e de justiça federativos possam actuar por forma a impedir que a situação continue a descambar como tem sido público e notório nos últimos (longos) tempos. Isso deveria merecer rápida reflexão dos que se preocupam com o futebol, seja na vertente desportiva ou comercial. Tendo ainda em conta que a expressão verdade desportiva é demasiado restrictiva na análise de cada um…

Tempos recentes houve, em que as coisas pareciam ir seguir outro rumo no campo da disciplina. A acção do então presidente do C.D. foi desde logo combatida por configurar para alguns excesso de zelo, e para outros uma intervenção que punha em causa a letargia vivida que deixava sem qualquer acção os frequentes excessos verbais que protagonistas que por força do do peso que tinham adquirido ao longo de dezenas de anos em que, apesar de todos os dislates e truques a que recorreram, foram passando impunes adquirindo mesmo a firme convicção de que eram inimputáveis.

Terá sido essa a convicção do actual presidente do Sporting. Depois de uma breve espera táctica para apalpar terreno e avaliar reacções, iniciou a sua cruzada de início com ligeiras escaramuças que foram subindo de tom e passaram por patamares intermédios até atingiram o estado de belicismo e confrontação permanente que se nota e pressente a cada esquina, fruto também de uma passadeira generosamente estendida pela comunicação social que obtém assim furos constantes, sejam eles directos ou indirectos. Não importa quando, onde ou de que forma, chegando-se ao desplante de órgãos de informação outrora de referência abrirem as suas páginas de par em par para que a verborreia seja melhor e mais profusamente divulgada. É o que temos e ao que chegámos!

É evidente que tal sucede devido à bagunça e o torpor que invade todos aqueles que têm por missão zelar pela aplicação das leis e dos regulamentos. Se assim não fosse, nada disto estaria a ser discutido neste momento e os Brunos de Carvalhos e quejandos estariam reduzidos à dimensão real que possuem: a sua quase insignificância. Se assim não fosse, depois de mais uma série de declarações e de acusações miseráveis do presidente leonino, o C.D. teria actuado de imediato e não teria ficado à espera que alguém apresentasse a denúncia dos factos reais e objectivos que já eram do domínio público e que punham em causa os mais elementares direitos. Se assim não fosse, ainda, Bruno de Carvalho depois de (finalmente!) suspenso, não se teria desdobrado em declarações através dos canais de informação internos, em entrevista ao canal público de televisão em horário nobre e com uma página inteira colocada à sua disposição pelo órgão de informação de todos os desportos. Mas como não existem ses, a pergunta que fica é de que vale a suspensão de um dirigente se a acção mais visível se restringe a não poder ir para o banco? É que isso até acaba por favorecer a equipa…








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