Ponto Vermelho
Desespero de novos viscondes
29 de Janeiro de 2016
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1. A rivalidade entre os dois principais rivais de Lisboa sempre foi acesa e muito disputada, tendo sido palco ao longo de mais de um século de muitos e variados episódios que se poderão enquadrar na normalidade digamos assim, e outros que, devido aos excessos, não dignificaram quem os praticou. Todavia, com mais ou menos intensidade, com declarações avulsas quiçá excessivas ou com relações tensas ou mesmo cortadas, nunca por demais foram ultrapassados determinados parâmetros como ao que agora se assiste em que foram excedidos todos os limites aceitáveis.

2. É da praxe que face às emoções do futebol, à pressão dos adeptos e da opinião pública e à tendência irresistível para o populismo, alguns dirigentes ultrapassam aquilo que se define como o bom senso. Nesses momentos e para impedir eventuais bolas de neve ou de pingue-pongue que se tornam imparáveis, seria exigível aos guardiões das leis e dos regulamentos que agissem de pronto para fazer abortar à nascença qualquer tipo de veleidades nesse particular. Já estamos fartos de constatar época após época que isso não parece constituir prioridade, em que só há intervenção quando não resta alternativa. Essa é uma das razões, que não a única, para o plano inclinado do futebol português nos últimos larguíssimos anos.

3. Esta temporada, perante os novos desafios, já foram inventariadas as razões para o aumento da crispação e para o protagonismo encenado e protagonizado por Bruno de Carvalho e seus pares. A aposta no tem que ser aqui e agora levou o adepto, perdão presidente leonino, a enveredar por caminhos muito apertados em que para passar teria que atropelar quem por lá circulasse… Se o objectivo de ganhar é um princípio compreensível e legítimo para todos os que a ele podem aspirar, há que ter em conta que já não vivemos no tempo dos xitos e do Apito Dourado, pelo que seguir por essa via não tem qualquer cabimento mesmo que travestido com roupagem diferente…

4. Uma sucessão de episódios qual deles o mais belicoso, vil e demonstrador da falta de nível e de senso que grassa presentemente em Alvalade, tem sido levado à cena com entusiasmo de principante em que os requintes de malvadez se constituem sempre como aspiração no horizonte imediato. Todos os meios informativos à disposição têm sido canalizados para esse combate ao Benfica sendo que, como factor de habituação, dia em que não haja um comunicado, um bitaite no facebook ou um monólogo no canal do Clube, a opinião pública estranha e os adeptos ficam desiludidos…

5. Para o adepto comum a dificuldade está na escolha, pois a cada invenção e a cada revés, se sucede uma nova escaramuça, uma nova acusação sem substância ou mais uma qualquer queixa sobre isto ou sobre aquilo, que paulatinamente vão caindo no esquecimento da opinião pública e dos adeptos. O fim em vista é tão somente continuar a manter as tropas animadas perante o estilhaçar gradual dos objectivos. Não se estranha o argumento utilizado pelo seu actual treinador pois os benfiquistas já o conhecem de cor e salteado – o campeonato, sempre o campeonato!

6. Mas guardado estava o melhor bocado! Face à decisão do Conselho de Disciplina de instaurar um processo disciplinar ao seu melhor avançado vulgarmente conhecido por Slimcotovelos, caiu o Carmo e a Trindade. No impedimento do adepto-presidente, coube ao seu Director-Geral manifestar a fúria leonina por tão grande desaforo. Diga-se em rigor que terá sido, porventura, nos últimos tempos uma das mais hilariantes peças a que nos foi dado assistir, não resistindo mesmo a largos bocejos, perante o ridículo a que se submeteu. Aquela não era, decididamente, a sua praia favorita. Se Alvalade considera estar tão certo da razão que lhe assiste então não há problema; basta apresentar recurso e validar os argumentos e provas de que julga dispor. O que não se percebe é a razão da contestação pública misturando argumentos, lances e imagens que nada têm a ver com o caso em si, uma situação que até deu lugar a editoriais de apoio. Uma coisa é certa: a diversão continuará a ter lugar a qualquer hora, em qualquer lugar e por qualquer meio. O espectáculo está garantido...








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