Ponto Vermelho
Estranhas reclamações sobre justiça…
31 de Janeiro de 2016
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Sempre que julgamos ter atingido o limite da desfaçatez e do ridículo, há sempre alguém que faz questão de nos dizer que, afinal, não há limites! Todos enxergamos que quando alinhavamos textos, debitamos palavras ou emitimos opiniões, o nosso estado de espírito é fundamental para a forma e conteúdo com que abordamos um assunto específico ou uma determinada matéria que, caso seja candidato a manchetes, requer ponderação para que não contribuamos para o ruído e para a parcialidade de análise que, invariavelmente, dá origem à confusão e à falta de esclarecimento que deveria ser o objectivo a perseguir.

Se isso acontece em profusão nas redes sociais todos os dias e a toda a hora, não seria por demais exigir aos diversos veículos de informação que nos inundam, que não alinhassem nessa teoria do caos apenas e só para intoxicar a opinião pública e assim defender interesses. Não pretendemos cair na injustiça de julgar todos pela mesma bitola, mas também não podemos ignorar que uns mais do que outros, ao abrigo da liberdade de opinião que todos julgam defender, extravasam largamente aquilo que deve ser comentário ou opinião, uma vez que a linha imaginária que regula o rigor e o bom senso é tão ténue que é, de forma frequente, ultrapassada. Seja na política, na acção social, na religião ou no futebol que é, neste âmbito, o que mais nos interessa por agora.

Reconhecemos como legítimo que todos os profissionais de informação tenham paixão por um clube. Ignorá-lo seria atentar contra a própria liberdade do indivíduo em si, um factor que ninguém tem o direito de castrar por entender que o ser humano é um autómato e mero formalizador de interesses localizados. Se tudo isso é verdade, não o é menos o facto de que o profissional, enquanto no exercício da sua profissão que o obriga a uma exposição pública frequente, dever ser independente, sério, rigoroso, objectivo e sobretudo imparcial. Porque tem acesso a factos e situações que não estão ao alcance do comum cidadão e, como tal, deve retratá-los com o rigor que a situação exige, sob pena de estar a contribuir para a manipulação da opinião pública. Pode ter falhas na análise sobre os dados que tem à sua disposição, pode ser induzido em erros por deficiente (ou objectiva) informação das fontes, pode até como sucede amiúde, sofrer pressões e recados, mas nunca deve cair na tentação de veicular ideias que não são as suas e dar corpo a informações atentatórias da sua dignidade pessoal e profissional.

O artigo publicado na última 6.ª Feira pelo Director-Adjunto do Record Bernardo Ribeiro (BR) é, infelizmente, ilustrativo sobre a forma como se pretende esconder a mão que atira a pedra ao misturar factos reais e merecedores de crítica severa, com teorizações sobre uma matéria que fez, mais uma vez, a actualidade em Alvalade. Todos sentimos na pele a lentidão da justiça e no futebol o panorama não é diferente, como tem acontecido em várias ocasiões aos mais diversos clubes com prejuízos inerentes pelo atraso e pelo timing que invariavelmente levanta suspeições…

É consensual até mesmo para muitos sportinguistas, que Slimani agrediu Samaris com uma cotovelada. Não foi um lance idêntico a tantos outros em que está subjacente a disputa da bola, mas numa situação desligada de qualquer lance em que o argelino corre e atinge deliberadamente o jogador encarnado. Um lance de cartão vermelho por configurar uma agressão que terá passado despercebido ao árbitro e auxiliares. Omitido por isso no relatório, deveria o C.D. com recurso às imagens actuar de imediato através do levantamento do processo competente. Não o fez como em outras ocasiões também não o tem feito, e só actuou depois do Benfica lhe fazer chegar a participação. Não se percebe a demora para um assunto que deveria estar há muito resolvido.

Todavia, BR não se limita a evidenciar esse facto que merece generalizada concordância. Serve através do seu próprio eco fraseológico e das provas apresentadas por Octávio Machado, misturando lances que foram detectados pelo árbitro e sancionados (ou não) por via do seu critério discutível, como todos. A partir dessa constatação e de harmonia com os regulamentos em vigor, restava ao CD intervir apenas e só naquele(s) que não constasse(m) do relatório arbitral. Por sua própria iniciativa ou então, perante participação de terceiros, como foi o caso.

Querer à viva força induzir os leitores a uma conclusão diferente não só é abusivo como do ponto de vista intelectual pouco sério. Mas como a sua tormenta não acabaria aí, sucedeu que o mesmo órgão de disciplina decidiu arquivar o tão propalado caso dos vouchers que, estava-se a ver, não passaria de mais um fait-divers tão em voga em Alvalade. Mas será que alguém, mesmo com índices de inteligência mínima, alguma vez acreditaria que, hoje em dia o Benfica, tal como clubes da sua igualha, iria recorrer a situações mais obscuras nesse campo que, a concretizarem-se, lhes iria causar sérios danos reputacionais na imagem e no negócio com os seus patrocinadores? Em qualquer dos casos foi a vontade de prestar serviço e a azia a falar. Apenas mais um reparo: não seria mais aconselhável o artigo ter sido publicado em papel timbrado de Alvalade, ou no mais utilizado facebook do país? É que ficaria melhor enquadrado…






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