Ponto Vermelho
O frenético agitar das águas turvas
7 de Fevereiro de 2013
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Muito provavelmente o Conselho de Disciplina da FPF nunca imaginou que iria ter tanto trabalho. Com uma das missões prioritárias semanais asseguradas que consiste em encher os cofres do organismo da Rua da Constituição (esta semana houve nova e excelente safra e quem acabou por comer foi o Vitória vimaranense (14.671 €), dado que o Benfica - frequês habitual desta vez quedou-se por uns míseros 6.204 €), nos últimos tempos o agitar constante e frenético das àguas turvas das proximidades, tem dado origem a uma inusitada azáfama com temas, amostras e processos reais a caírem-lhe no regaço. Se porventura o que está a acontecer agora tivesse surgido há uns escassos meses atrás, o celebérrimo processo pirotécnico da Luz teria um resultado mais dilatado pois em vez dos 414 dias para resolver, estaria ainda por certo a aguardar na fila dos processos pendentes. E isso apesar de ter havido clamor público.

Mas há alguém apostado em não dar descanso ao tão atarefado CD. Já não bastava ter feito o esforço de ignorar a atitude da Liga de Clubes ao não respeitar o que está regulamentado sobre o específico caso do adiamento do jogo do Bom Fim, para que numa assentada lhe tenham caído do céu duas situações que configuram similitude mas para as quais foram encontradas, até ver, resoluções diferentes. Se estranhámos a celeridade da aplicação do castigo (que não é propriamente a imagem de marca do CD) no caso do Braga B, já a situação com contornos absolutamente análogos do FC Porto B e a sua hipotética exclusão da Taça da Liga, aproximou-se muito mais da realidade objectiva que temos no futebol portoguês.

Nesse contexto, quando lemos a tese milagreira defendida no ‘JN’ pelo senhor Armando Leitão, Professor na Faculdade de Engenharia da Faculdade do Porto de que 71h45m são 72h esfregámos os olhos para confirmarmos se estávamos acordados e, ao constatá-lo, só não nos rimos a bandeiras despregadas porque há muito perdemos até a capacidade de sorrir com estas cândidas golpadas. Doravante, quando qualquer aluno da Faculdade de Engenharia do Porto iniciar um teste desde que seja com uma antecipação máxima até 15 minutos, poderá sempre invocar a tese jurisprudente de tão ilustre professor alegando que 8h45 são 9h00. Assim ganha a vantagem de 15 minutos em relação a todos os seus colegas e acaba por ter mais um quarto de hora para fazer o teste...

É claro que, porque poderia haver dúvidas sobre tão insólito argumento havia que atacar noutras frentes baloiçando o barco para que as vagas repletas de lodo pudessem de algum modo influenciar o CD e a opinião pública. E, como noutros casos, lá apareceu uma denúncia anónima mas que não será difícil imaginar de onde partiu, a levantar uma pretensa questão que como não poderia deixar de ser tinha o Benfica como alvo previlegiado, tentando transformá-lo no bode expiatório da incompetência factual protagonizada pela estrutura de sonho que nunca se engana e raramente tem dúvidas. Velha táctica pintista de envolver os encarnados no barulho para desviar as atenções que estavam concentradas nos portistas que cometeram um crime lesa-majestade ao não demonstrarem solidariedade pública ao seu aliado bracarense condenado pela mesma distracção... Mas certamente que António Salvador não levará a mal por este esquecimento...

Só que contrariamente a outras ocasiões desta vez não foi de todo possível camuflar a asneira, pelo que de imediato a máquina portista se pôs em campo para minorar os estragos e, quem sabe, evitá-los completamente, o que no país que temos, com a justiça que temos, é sempre uma possibilidade a levar em linha de conta. O expediente encontrado do gato escondido com o rabo de fora, apoiava-se no facto dos jogadores encarnados, Aimar, Jardel, Lima, Ola John e Salvio terem sido utilizados contra o Estoril (13ª jornada) a 6 de Janeiro, e com a Académica na Luz a 9 de Janeiro, para a Taça da Liga. Como se observa, questões perfeitamente comparáveis com os casos das equipas B do SC Braga (decidido como vimos em tempo recorde) e do FC Porto que foi previlegiado com um inquérito...

O Regulamento Disciplinar das Competições Organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, estabelece no seu Artigo 226 no nº 1 Participação Disciplinar, que a participação deve indicar a identidade do participante e do participado..., e no nº 5 que as participações anónimas serão imediatamente arquivadas sem dar lugar à instauração de processo disciplinar.... Não se percebe portanto, a razão substantiva da instauração do inquérito que, como refere o comunicado emitido ontem pelo SL Benfica deveria ter tido um único destino - o lixo. Não ignoramos no entanto que na redacção de qualquer lei ou regulamento neste país, existem sempre alçapões que permitem interpretações diferentes e fugas ou penalizações consoante os envolvidos e as circunstâncias.

Vamos aguardar serenamente o desenrolar dos acontecimentos mas como não encontramos justificação e não gostamos de permanecer com dúvidas no nosso espírito, voltamos a perguntar ao CD: a) Porque razão não foi instaurado inquérito ao adiamento do jogo de Setúbal; b) Porque foi decidido o caso Braga B e não o do FC Porto B atendendo a que se reportava a factos de carácter similar; e, já agora, uma 3ª questão: Porque razão foi instaurado um inquérito ao Benfica quando o próprio regulamento da Liga determina o arquivamento sempre que tenha por base uma denúncia anónima? Será que o CD conseguirá estancar o clamor público que já rumoreja que o Sistema continua impune e a ditar as suas leis?






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