Ponto Vermelho
Em banho-maria…
5 de Fevereiro de 2016
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1. Terminou oficialmente mais um período de transferências designado de forma eufemística por janela de mercado. Para sermos rigorosos isso não é propriamente verdade, porquanto por exemplo os mercados russos e chinês não por acaso ainda se encontram abertos, o que significa que se mantém viva a possibilidade de ainda haver mais transferências face à enorme capacidade financeira que demonstram os clubes daqueles países. Em Portugal, o Benfica tem experiência da situação pois viu partir no último momento o belga Axel Witsel sem que nada pudesse fazer, a que se juntou a impossibilidade de poder ir ao mercado colmatar aquela baixa de última hora.

2. Muitas e diferentes vozes se têm levantado contra este sistema injusto que acaba por beneficiar de forma clara e inequívoca os clubes com maior potencial financeiro. Isso parece não continuar a preocupar as mais altas instâncias do futebol que não se comovem com esses argumentos, a exemplo aliás, do que sucede no plano político com a Europa dita comunitária… A lei dos interesses mais fortes impera em toda a linha, restando aos mais fracos resistir e tentar encontrar meios e expedientes que possam de alguma forma minorar o impacto dessa política que permite aos mais fortes exercer o seu domínio sobre os mais fracos.

3. Alguns apontam a janela de Janeiro como genericamente inócua, porquanto por esta altura os jogadores mais apetecíveis, salvo raríssimas excepções, estão como é óbvio comprometidos com projectos de dimensão à sua medida. Isso é verdade em relação aos pequenos e médios clubes mas nada impede, antes pelo contrário, que clubes que disponham de enorme capacidade aquisitiva façam propostas de tal maneira atractivas que acabem por convencer os jogadores mais em destaque, empresários e clubes que detêm os seus direitos económicos e/ou desportivos. Sem que para isso, perante a conjuntura, sejam obrigados a bater as cláusulas de rescisão.

4. Este cenário aplicou-se aos principais clubes portugueses que acabaram por ser comedidos nas compras, adquirindo jogadores que por via disso estão longe de ser trutas e que provarão ou não, o valor que os clubes consideraram como motivo suficiente para os comprar. O FC Porto que continua a ser useiro e vezeiro em aproveitar-se do trabalho dos olheiros dos outros através de uma política agressiva de preços e comissões, escolheu desta vez, o Sporting como alvo e desviou vários jogadores dados como consumados em Alvalade, o que vem provar que a capacidade negocial e de persuasão de Bruno de Carvalho e seus pares anda muito por baixo. Mesmo depois de ter afastado um dos bodes expiatórios para os seus fracassos...

5. Restaram-lhe por isso os saldos que sempre acontecem em Janeiro, comprando jogadores em fim de estação que tentarão ainda provar a sua utilidade. Uma coisa ninguém pode deixar de reconhecer: são experientes, altos e fortes, como Jesus gosta. Pena é que já não cheguem com idade suficiente para serem modelados pelo mestre, mas ainda assim poderão emprestar algo de útil ao Sporting na luta pelos seus objectivos cada vez mais controlados e apertados. Mas no futebol como na vida, alguém sabe o dia de amanhã?

6. Já o Benfica depois de ter comido o pão que o diabo amassou, foi mais discreto em linha com a política de contenção seguida. Face ao desempenho gradual e consistente que se vem registando nos últimos tempos e que o catapultou para patamares impensáveis para muitos, começou a ser tempo de integrar os reforços que estavam dentro de casa e que se encontravam lesionados. Vêm mesmo a tempo em que se parte para o período crucial da época com a forte probabilidade de se iniciar a resolução de algumas equações, muito embora as fatalidades pareçam não querer largar âncora como é de novo o caso de Luisão. Do exterior apenas jovens promissores dando continuidade à política encetada, e uma oportunidade de mercado – André Carrillo. Tudo fica portanto em aberto e o optimismo alicerçado em bases que parecem sólidas, deverá continuar a fazer parte das opções encarnadas…

P.S. Não há palavras para descrever a revolta que nos invade por mais um acto cobarde e nojento levado a cabo por um bando de idiotas em Londres que não soube respeitar as mais elementares regras de vivência de uma sociedade que com todos os seus defeitos e virtudes, é o que temos. Nada justifica o que aconteceu. Até quando é que teremos que suportar os desmandos de energúmenos seja qual for o credo religioso ou a cor da sua camisola?








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