Ponto Vermelho
30 anos desmemoriados
11 de Fevereiro de 2016
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1. Parece indiscutível, visto pela televisão, que o golo anulado ao portista Brahimi no jogo com o Arouca por indicação do árbitro auxiliar de Rui Costa não o devia ter sido. Simplesmente as equipas de arbitragem não têm televisão e têm fracções de segundo para decidir e, tal como os jogadores, treinadores, dirigentes, outros elementos ou os adeptos, são seres humanos e, como tal, falham por vezes nas decisões que são compelidos a tomar. Embora tenha havido tempos no passado em que nem sempre terá sido rigorosamente assim.

2. É hoje muito claro que as polémicas que são chamadas à colação quase todos os dias de cada semana, têm origem na escalpelização exaustiva com que as tv’s alimentam a turba, seja ela de jornalistas, comentadores ou adeptos para que assim o negócio possa florescer cada vez mais. É evidente que temos que ter indicações fortes que não suscitem dúvidas sobre a forma de actuação dos juízes de campo como infelizmente tivémos em anos consecutivos em que o domínio azul e branco frutificou livremente.

3. Passado esse período turbulento que deixou marcas profundas no tecido futebolístico nacional e do qual ainda sentimos os efeitos, admitimos como válida a tese que defende que esse consulado pode ter chegado ao fim e que os erros e as insuficiências são consequência de um conjunto de situações a que o ser humano sempre esteve e há-de estar sujeito. Todos somos diferentes nas reacções sempre que a pressão se abate sobre nós sobretudo quando em termos menos ortodoxos, sendo que o grau de dificuldade real dos jogos condiciona, influencia e determina, muitas das decisões.

4. É consensual mesmo que porventura não seja voluntário, que os ditos grandes têm vantagens no saldo final em relação aos chamados pequenos. Sendo isso hoje em dia um facto menos indubitável de que no passado, não deixa de ser uma evidência. Já no que toca à contabilidade entre os mais poderosos a coisa é, em teoria mais equilibrada, e mesmo o facto de, por exemplo e apenas no campeonato, terem sido sonegados 2 grandes penalidades ao Benfica que não deixaram dúvidas no prélio com o Sporting que catapultou os leões para os píncaros balofos da vivência imediatista, nos faz alterar a nossa opinião numa matéria complexa que é sempre motivo das maiores atenções mediáticas.

5. Daí que a reacção portista sendo compreensível deixe de ser aceitável em face dos argumentos avançados. Em primeiro lugar, porque um Clube que ao longo de três décadas controlou e retirou benefícios sistemáticos do sector para si e para os clubes amigos conforme foi provado de forma inequívoca, não tem a mínima moral para fazer disso um cavalo de batalha. Para o fazer tem de saber escolher os termos que apresenta publicamente, e não refugiar-se na versão bacoca que os ex-aliados leoninos utilizam de forma sistemática quando as coisas não lhe correm de feição – a manipulação de uma pretensa realidade Calabotiana.

6. Depois, porque o que ocorreu no último encontro parece não ter conduzido os portistas à mais lúcida das conclusões: é que face ao orçamento-recorde, o plantel está longe de ter a valia que insistentemente nos quiseram vender, estando distante do da temporada anterior. E assim sendo, os eventuais lapsos arbitrais ganham outra dimensão sempre que não logram a vitória. Quando sucedeu o tal lance o resultado estava empatado e o FC Porto ainda dispunha de cerca de meia-hora para alterar o resultado. O que se veio a verificar, foi não só que não o conseguiu como viu o Arouca marcar o tento da vitória, o que indicia que algo de muito profundo e negativo está a acontecer no reino do Dragão. E a tentativa desesperada de transformar Maicon num réu absoluto depois de o terem erguido à categoria de herói quando na Luz marcou um golo decisivo ainda que irregular, revela que a outrora inexpugnável estrutura pintista é hoje um barco à deriva…








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