Ponto Vermelho
A Europa à nossa frente…
17 de Fevereiro de 2016
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1. Nunca é demais lembrar que muito do prestígio alcançado pelos nossos principais clubes foi conseguido na Europa e no Mundo onde, no seu conjunto, já conquistámos todos os títulos que havia em disputa, com o Benfica, como sempre, a ser o percursor com a conquista da Taça Latina em 1950 irmã mais velha da Taça dos Campeões Europeus que entretanto deu lugar à actual Liga dos Campeões. Foram basicamente essas conquistas e da Selecção Nacional que tornaram o futebol português conhecido no Mundo, ao ponto de no momento presente sermos um país exportador de jogadores e de técnicos que alcançam lá fora o que nem sempre lhes é permitido cá dentro.

2. No contexto actual, tal como acontece nas politiquices urbanas que nos inundam diariamente em que alguns políticos, jornalistas, opinadores e quejandos parecem sentir um prazer inaudito em servir de porta-vozes de uma Europa mais reaccionária e retrógrada do que nunca, confundindo números com pessoas e fazendo tábua rasa das suas dificuldades quotidianas e da realidade objectiva, a fobia das futebolices nacionais surge com todo o esplendor, ao ponto de quase só se discutir o que é acessório e lateral em vez de falarmos do futebol na sua versão mais pura e racional.

3. A proliferação de versões ”Correio da Manhã” seja em formato televisivo, radiofónico ou escrito tem vindo a desenvolver-se de forma exponencial, sendo que nas condições actuais quem não enveredar por esse tipo de informação rasca perde nas audiências e nas tiragens e isso é evidentemente mau para o negócio. Tudo o que o futebol interno tem de negativo é aflorado e explorado até à exaustão, e isso tem como é lógico reflexos nos adeptos e na opinião pública que assim anda entretida sem dar conta que os objectivos dos grandes clubes portugueses também passam pela Europa, apesar das assimetrias que têm vindo a aumentar em relação aos clubes das principais ligas.

4. Escrevia na 2.ª feira um plumitivo consultor sportinguista cujo ódio perene a tudo o que cheire a encarnado se manifesta sempre que dispõe de ensejo para tal, que o Benfica «…tende a ser o que o não é a pensar-se um grande da Europa…». Temos aqui um magnífico exemplo daquilo que aflorámos no 2.º parágrafo – uma mentalidade mesquinha e limitada que, por o seu clube não ter atingido o sucesso do Benfica e concomitantemente do futebol português, se entretem com linguagem de tasca a tentar denegrir as vitórias e o prestígio que os encarnados desfrutam na Europa e no Mundo.

5. É de facto dramático para todas estas mentalidades anquilosadas pelo ódio e pelo fanatismo não consequirem conseguir conviver com factos indiscutíveis. Muito pior para eles dado que a história revela o contrário daquilo que gostariam e, quer queiram quer não, os clubes medem-se pelo seu historial e não apenas pelas vitórias e conquistas de um determinado momento. É por isso que o Benfica dispõe de todo esse capital de sucesso e é respeitado em todo o Mundo pese embora os seus altos e baixos, e o Sporting de Lisboa como é vulgarmente conhecido no Mundo do futebol, a despeito de ter uma história interna rica e de ter inclusivamente conquistado uma edição da antiga Taça das Taças, continua circunscrito à mediocridade fruto da mentalidade de parte dos seus dirigentes e adeptos ao longo dos tempos.

6. É mais do que tempo de estes procedimentos evoluirem no sentido de abandonarmos a cultura do fanatismo e nos concentrarmos naquilo que é verdadeiramente essencial, como seja o avanço e o desenvolvimento do futebol português no seu todo sem prejuízo da componente clubística. Nesse desiderato deveremos todos, sem excepção, estar empenhados, a começar por aqueles que têm responsabilidades diárias aos vários níveis da componente informativa. Se assim for (o que temos muitas e fundadas dúvidas), a evolução de pensamento dos adeptos e de todos os gravitam no Mundo do desporto-rei será uma realidade que só beneficiará o nosso futebol. A ser assim, quem sabe se até o citado articulista (apesar de burro-velho ter mais dificuldades em assimilar), não evoluiria e deixaria de ser tão ciumento e invejoso?








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