Ponto Vermelho
O que esperar do Futebol português?
22 de Fevereiro de 2016
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1. O Futebol, como qualquer actividade em qualquer parte do Globo, tem vantagens e inconvenientes. Não necessariamente as mesmas. Normal se atendermos às coordenadas que os afectam, mas cuja leitura a extrair pode não diferir assim tanto no seu todo, pese embora as conjunturas diferentes ou até mesmo contraditórias entre si, ainda que persigam o mesmo objectivo. Olhando para o momento actual, de um lado estruturas de grande poder financeiro entretanto consolidadas e do outro, poderes emergentes com aspirações mas sem grandes tradições e com recursos ilimitados, mas longe ainda de disporem de estruturas experientes e solidificadas.

2. Algures no meio, com escassa capacidade financeira para grandes aventuras, encontra-se o nosso futebol que em contrapartida dispõe de capacidade de imaginação que só as necessidades fomentam e propiciam, aliada a uma capacidade invulgar para a prática da modalidade que faz emergir com alguma regularidade novos talentos com necessidade de afirmação ao mais alto nível e que, por via disso, tendem a abandonar o futebol português muitas vezes cedo demais. Não diremos ser propriamente um erro mas antes uma precipitação, porquanto saber esperar pelo momento mais propício (nem sempre de fácil definição tendo em consideração os elementos em discussão), será, porventura, o caminho mais aconselhável.

3. Para os próprios jogadores e para os clubes formadores. Para os primeiros porque se é legítima a sua ambição de disporem de outras condições financeiras que os nossos clubes jamais lhes poderão proporcionar, são de imediato confrontados com realidades e conjunturas às quais nem sempre se conseguem adaptar por um conjunto de razões, o que se reflecte de imediato nas suas prestações que poderão ficar muito aquém do seu valor futebolístico. E isso, aliado às condições de transferência com verbas avultadas envolvidas, pode fazer incidir sobre os mesmos uma pressão mais incisiva que os impede de demonstrar todas as suas potencialidades. Daí a tornarem-se malquistos dos adeptos vai um passo muito curto com sérios prejuízos na sua carreira futura. Sobretudo, se não forem fortes psicologicamente.

4. Para os clubes porque sendo certo que recolhem saborosos proventos no imediato, acabam por ficar a perder na medida em que deixam de contar com a sua prestação desportiva, ao mesmo tempo que perdem a oportunidade de vir a realizar substanciais mais-valias se os vendessem mais tarde. No meio disto tudo, os únicos que recolhem proventos com larga margem de lucro são os agentes e os empresários que medeiam as operações de transferência. É uma realidade incontroversa basicamente ditada pelas perenes necessidades de tesouraria dos clubes.

5. No Benfica e a partir do momento em que o Seixal entrou em velocidade de cruzeiro, começaram a despontar com regularidade talentos. Por mais profícuo que seja o trabalho desenvolvido (e parece não restarem quaisquer dúvidas sobre o seu mérito), nem sempre eles surgem. Felizmente isso tem acontecido com uma série de jogadores que na sua transição fazem questão de comprovar todas as suas capacidades, o que significa oportunidades mais ambiciosas. Não só devido a lesões inesperadas de titulares, mas inegavelmente pelo seu talento e capacidade afirmativa. Foi assim que surgiram, para só citar alguns, Nélson Semedo, Gonçalo Guedes, Renato Sanches e por último Victor Lindelof.

6. Por força de um conjunto de atributos que o estão a consagrar como um jogador de largo futuro, Renato Sanches tem tido sobre si os holofotes da ribalta. Mérito seu evidentemente e de quem lhe propiciou os momentos que tem vivido, aos quais não será alheia a sua vivência que o tem ajudado a moldar os traços mais vincados da sua personalidade que parece já maturada para a idade. Não se estranha por isso que os clubes endinheirados o disputem desde já antevendo o seu futuro brilhante. Contudo, tendo em conta, por um lado, que a idade da sua completa afirmação ainda não chegou e com ela o afastamento de todas as incertezas e, por outro, o conforto do valor da claúsula rescisória, nesse contexto afigura-se-nos prematuro uma possível venda já no final desta época. Para o jogador e para o Benfica. Não tanto para o empresário…








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