Ponto Vermelho
Sintomas preocupantes
25 de Fevereiro de 2016
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1. Os indícios já vinham a acumular-se e, como é hábito acontecer neste jardim à beira-mar, os responsáveis e as entidades competentes sejam elas governamentais, civis ou desportivas encolhem os ombros na esperança (vã) que as núvens negras que vinham a adensar-se cada vez mais, dêem lugar a um sol radioso que anuncie a Primavera antecipada. Não sendo um facto novo, isso deveria servir de alerta para prevenir a escalada de pequenas escaramuças algumas bem longe dos olhares mediáticos (leia-se de audiências ou tiragens), na perspectiva de que, pelo andar da carruagem, a situação pode descambar até atingir níveis incomportáveis.

2. A isso não será certamente alheia a entrada do campeonato no último terço e a selecção para a decisão das outras provas nacionais, pois mesmo aqueles que já delas se encontram afastados por incompetência ou por fobia ou opção, tudo estão a fazer (às vezes de modo indirecto) para impedir que outros (em particular o Benfica) venham a ter sucesso. Os últimos desenvolvimentos parecem provar tudo isso, o que configura um panorama preocupante para os vários agentes envolvidos, a começar pelas equipas de arbitragem em que nem já os seus familiares são poupados.

3. Não era difícil vaticinar que esta época iria ser intensa e complicada, não só para um FC Porto sedimentado no hábito de vencer a qualquer preço, como também para um Sporting que com nova liderança imberbe, tinha pressa de chegar ao pódio. Nesse enquadramento, o FC Porto depois de um jejum de dois anos manteve a sua tendência de apostar forte, e o Sporting que com milagres de tesouraria, abandonou a fase austeritária e passou de súbito à fase expansionista com um investimento significativo e uma aposta de risco a necessitar de títulos urgentes. Ao invés do Benfica que mantendo os objectivos de sempre, tipificou de forma clara uma mudança de paradigma com maior aposta na Formação.

4. Com estes dados em presença era previsível que a temporada prometesse animação. Dentro das quatro linhas mas principalmente fora delas, em que a importância dos jogos nos diversos tabuleiros prometia ir aumentando à medida que a época fosse evoluindo. Se contabilizarmos todos os episódios anormais constataremos números impressionantes. Para gáudio de uma imprensa faminta de notícias sensacionalistas, e dos adeptos e da opinião pública mais receptiva a informação mais suculenta ainda que oca e pouco transparente e aberrante.

5. O seu a seu dono: Bruno de Carvalho tem sido o principal animador das tertúlias excedendo largamente a quota e a barreira da educação, da urbanidade e do limite ao insulto mas, até hoje, parece gozar da mais completa impunidade pois diga o que disser ou escreva o que escrever, tudo parece ser normal aos olhos (e aos ouvidos) de quem deveria zelar pelo cumprimento dos padrões estabelecidos para o abuso, dando um magnífico exemplo aos seus correligionários e aos adeptos em geral e contribuindo para o estado de fortíssima crispação que hoje se vive no futebol e no desporto em Portugal.

6. Recentemente veio a lume a situação de uma equipa que milita na Divisão de Honra da AF Porto (O Canelas 2010), e cujos adversários começaram a não comparecer aos jogos com receio de intimidações e de represálias por parte de elementos daquela equipa da qual fazem parte activos da claque Super-Dragões entre os quais o seu líder. Devido ao clamor público entretanto levantado, a AF Porto presidida pelo membro do Conselho Superior do FC Porto Lourenço Pinto já terá levantado um inquérito aguardando-se agora as suas conclusões que se espera venha a ser públicas. Mentiríamos se não disséssemos que estamos curiosos...

7. Também ganhou mediatismo um pequeno incidente em Fafe no restaurante do pai do árbitro do Paços de Ferreira-Benfica onde, por curiosa coincidência, esteve envolvido, entre outros, o referido líder da principal claque do FC Porto. Começam a ser casos a mais para que se possa dizer que aconteceram por acaso, pelo que, entrando agora o campeonato na fase decisiva com a realização do derby lisboeta dentro de 15 dias, é de crer que os episódios aumentem de intensidade. A avaliar pelos antecedentes não é de esperar qualquer acção preventiva de forma a dissuadir os prevaricadores e evitar o ruído mas é lícito exigir que tal aconteça, enquanto fazemos votos para que nada suceda de relevante. Porque a verdade desportiva, essa, há muito perdeu a sua pureza e identidade.






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