Ponto Vermelho
Haverá emenda?
27 de Fevereiro de 2016
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Nas últimas semanas e dias/noites tem crescido o clamor sobre o sector de arbitragem como se fosse apenas dele os males que afectam o futebol nacional de âmbito clubista. Todos percebemos os porquês inerentes a essa contestação desenfreada a que não é obviamente alheia a contagem decrescente das provas e o nervosismo que impera em quem, numa atitude desesperada resolveu apostar todas as fichas, correndo neste momento sérios riscos das apostas se virem a revelar falhadas. Lendo a conjuntura que desfila perante os nossos olhos, é já possível perceber que quaisquer que sejam os resultados daqui para a frente, quem arriscou desse modo já não pode aspirar a um retorno condizente. Mesmo que, a pedido de várias famílias o tão vilipendiado Vítor Pereira tenha cedido às vagas alterosas que se têm feito sentir.

E quando assim é, há que tentar justificar o fracasso dessas apostas arriscadas e para isso torna-se necessário encontrar culpados que sirvam para encobrir os falhanços que basicamente só aos dirigentes e aos treinadores incumbem. Como ressaltou do passado que jamais se apagará, um dos motivos de queixa era, como sempre aliás, as arbitragens… desde que o resultado fosse desfavorável. Nesses longos anos conforme ficou comprovado de forma inequívoca, havia enganos a mais para além dos erros normais inclinando os campos só para um lado, o que motivou reacções consecutivas ainda que muitas delas inócuas, do Benfica como maior prejudicado. Porquê? Porque era o principal atingido e o único a remar contra a maré dos interesses instalados.

Depois da exposição pública que pôs a nu a forma como tudo se passava, nenhuma dúvida que a situação melhorou a despeito de nem todas as anomalias e mentalidades terem sido erradicadas, e mesmo algumas terem continuado pois num Sistema solidificado de décadas, não poderemos alimentar a ilusão de que tudo se transmuta de repente. A menos que a vontade política, os poderes vigentes e a totalidade dos intérpretes tivesse mudado o que não foi o caso. Mas que se notaram algumas melhorias isso parece ter sido um facto adquirido.

Os anos continuaram a passar e no reino da arbitragem alguma coisa foi timidamente mudando. Não tanto quanto seria desejável nomeadamente na transparência e na eliminação gradual do corporativismo que sempre fez escola, mas assistiu-se de facto a uma maior democraticidade nos erros cometidos. E a imagem gravada na mente dos adeptos mais lúcidos e por isso menos radicais foi-se de algum modo alterando, ainda que nunca tenha chegado a desaparecer por completo. Os tantos anos passados na escuridão foram uma marca cujos resquícios continuam a perdurar e foram sendo lembrados à medida que a ocasião se proporcionava. O que, convenhamos, surgiu ainda não há assim tanto tempo quando afastou de forma objectiva o Benfica da discussão do título…

Nessa altura bem como no passado, aqueles que hoje de forma quase diária vociferam contra a arbitragem primaram pelo silêncio não bastas vezes ruidoso. Aliás, vivemos num País que padece de falta de cultura desportiva, sendo que a ausência de fair-play faz com que, por mais méritos que tenham os vencedores nunca tal é reconhecido, sendo os factores externos os apontados como principais causadores do sucesso alheio. Mesmo que ele seja inequívoco.

Mantendo-se as actuais coordenadas, regras e protagonistas e não havendo intervenção a outros níveis, não vemos que o assunto possa sofrer grandes modificações. Enquanto for permitido que um certo esquema televisivo explore exaustivamente os lances que possam suscitar polémica e os críticos de encomenda continuem com os seus bitaites destinados a alimentar a ala mais radical dos dirigentes, treinadores e adeptos, é certo e sabido que a questão tende a piorar e a propiciar discussão estéreis para enfurecer os adeptos. É uma situação que serve alguns interesses marginais mas não seguramente os do futebol.

Esta última semana, para não variar, foi dado particular destaque ao lance do penalty que assinalou o 2.º golo encarnado em Paços de Ferreira. Como também, (salvo honrosa excepção), não surgiu referida a falta (obstrução) que culminou com o golo do empate pacense. Não foi por acaso. Mas permitam que na nossa condição de leigos possamos referir que em imagem normal o lance (e já agora o que envolveu Maxi Pereira no Dragão) se nos afigurou passível de grande penalidade. Porquê então toda esta algazarra em volta da arbitragem? Pelos motivos habituais; continua a haver gente que não sabe viver de outra forma e, porque os interesses pessoais e clubistas fazem-nos ficar nervosos ao ponto de tentar por todos os meios desestabilizar os outros e recolheram os proveitos para si próprios. Os próximos tempos prometem…






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