Ponto Vermelho
Reveses
8 de Fevereiro de 2013
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Anos a fio temos assistido a um desfile de casos com contornos que só não são hilariantes porque, subjacentes aos mesmos, estão situações demasiado sérias e profundas que ajudam a compreender o porquê do estado de degradação e de permanente golpismo em que se encontra há muito o futebol luso. É evidente que se alguns fazem é porque alguém os deixa fazer e nalguns casos colabora, mas é bom não esquecer que os outros (afinal nós todos) não nos podemos eximir às nossas responsabilidades, pois nem sempre estivemos atentos aos sinais evidentes que iam chegando de várias fontes e sobre os quais, os prevaricadores compulsivos no seu auge, até se gabavam publicamente como foi o recorrente caso dos xitos. E assim, com a nossa desatenção e a nossa inércia contribuímos por omissão para o actual estado de circunstâncias.

O ressurgimento das equipas B e o seu novo enquadramento no quadro das competições profissionais, parece estar a causar alguma desorientação nas estruturas administrativas de alguns clubes dado que repentinamente começaram a ser noticiados casos anómalos em catadupa. Os que de facto foram cometidos mas que as próprias estruturas não quiseram assumir, e os que foram objectos de suspeitas e denúncias anónimas injustamente, por parte daqueles que há muitos anos estão acostumados a branquear as asneiras que cometem ensaiando fugas para a frente e criando factos fictícios para desviar as atenções que estão a recair sobre si. Uma técnica repetitiva que até há pouco tempo vinha conseguindo resultados com percentagens excelentes.

Se de alguma forma se percebe a intenção de minorar e se possível eliminar os estragos, já não se entende tão bem o porquê de essas acções assentarem em pressupostos falsos e manipulados e isso ser aceite como argumentos irrebatíveis junto das entidades competentes, seja elas de natureza desportiva ou não. Essa cadência de promissores resultados tem vindo a ser estável em décadas, mas nos últimos tempos há indícios que têm havido algumas alterações sobretudo através de actualizações de mentalidades que obrigam a uma maior transparência de processos, e isso significa que poderá existir alguma esperança que o futebol português venha a evoluir, ainda que mais lentamente do que seria lícito desejar.

Os recentes casos tão badalados da utilização indevida de jogadores das equipas B ganhou alguma atenção porque estava envolvido o FC Porto o que não era suposto dada a infalibilidade da máquina portista. Mas como os azuis e brancos estão habituados a passar pelos intervalos da chuva sem se molharem e desta vez tal não aconteceu, logo trataram de criar um facto novo em que surgia o seu inimigo Benfica e aí sim, o tema ganhou verdadeira projecção com alguma opinião pública mais desatenta a supor que se tratava de casos idênticos, e como tal o tratamento teria que ser igualitário. E não faltaram adjectivações interessantes em defesa da honra como aquelas a que nos referimos ontem daquele professor da Faculdade de Engenharia do Porto cujo nome certamente a história desportiva não registará.

Qualquer pessoa que lesse e interpretasse os regulamentos em vigor se aperceberia de imediato que a tal denúncia anónima tinha origem localizada e não era para ser levada a sério. Porque a aplicabilidade da regra das 72h está focalizada nas equipas B o que não era o caso do Benfica e ainda do Marítimo e do Sporting que também foram envolvidos por tabela. Logo, a novel Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga para quem o assunto foi remetido analisou e decidiu rapidamente (o que convenhamos não estamos habituados) um assunto que estava relativamente claro, com o arquivamento dos processos, enquanto que nas situações que envolviam as equipas B, o SC Braga já foi decidido e o FC Porto que também já deveria estar (não se percebe o atraso), aponta no mesmo sentido.

Este folclore a que a organização portista se prestou na linha do que se lhe conhece, por muito que lhe custe, não faz esquecer (continuamos a insistir) o adiamento do jogo de Setúbal que carece de uma explicação plausível por parte da Liga de Clubes, pois na nossa opinião de leigos, não encontramos nos regulamentos justificação para a sua realização fora dos prazos estabelecidos pelos mesmos. Se porventura a Liga de Clubes tem justificações que suportem o adiamento do jogo para a data em que acabou por se realizar (e vamos admitir que sim), pois que explique de uma vez por todas à opinião pública em que se baseou para dar a sua anuência, para que se acabe finalmente com este estado permanente de desconfiança e suspeição que, é bom que se diga, afecta tanto o FC Porto como o próprio Vitória de Setúbal. Na fase tão agitada em que vivemos seria preciso que o futebol desse o exemplo e caminhasse para a transparência que para alguns sendo utópica, ainda assim não deve deixar de ser tentada por todos os que perseguem a verdade desportiva.








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