Ponto Vermelho
Cenários com bons augúrios
10 de Março de 2016
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É indiscutível que o cenário que se apresentava antes do derby era de legítimas e fundadas esperanças para os três candidatos ao título. O Sporting porque sendo o comandante do campeonato ainda que com margem mínima jogava em casa e julgava dispôr de algum favoritismo, o Benfica porque poderia jogar para dois resultados distintos sem hipotecar as suas aspirações, e o FC Porto porque qualquer que fosse o resultado do embate entre os dois rivais lisboetas ganharia sempre pontos… desde que vencesse em Braga. As contas acabaram por sair furadas para leões e dragões e legitimaram as expectativas dos encarnados que vencendo, deram um passo importante ainda que não decisivo para a contabilidade do título.

Muitas e variadas opiniões foram expendidas acerca dos dois desafios que se perfilavam como potencialmente definidores de contas futuras sem que isso significasse, repita-se, horizontes definitivos. Mais, muito mais, sobre o derby dos derbies realmente um caso aparte no nosso futebol e que pode enfileirar sem favor na galeria de alguns outros que se realizam noutros campeonatos europeus de primeira grandeza e, naturalmente, menos sobre a deslocação portista a Braga tendo em conta a conjuntura, a classificação e a dimensão competitiva actual dos dois conjuntos em presença.

Em Alvalade teremos assistido, porventura, a um dos mais intensos despiques dos últimos tempos a que não faltou sequer moldura humana a condizer. Grande competitividade de ambas as equipas, procura incessante do melhor resultado para cada uma delas, falhas clamorosas, expulsões e incerteza no resultado até ao derradeiro apito do árbitro. A vitória sorriu ao Benfica porque marcou um golo e fez por merecê-la, colocando em xeque (veremos se mate) o Sporting que assim corre o risco de, uma vez que Supertaça diz respeito à anterior temporada, tal como o FC Porto na época passada (e está por concluir se também nesta) ficar de mãos a abanar no que a títulos diz respeito. Todavia, em face das surpresas que têm vindo a acontecer amiúde, manda o bom senso e a prudência que nada seja, neste momento, irreversível…

Nessa linha de pensamento, embora algumas conclusões possam já ser extraídas, é ainda prematuro entrar em avaliações e balanços mais alargados, apesar da tentação de alguns ser muita em ajustar contas com o caminho percorrido na pré-época e até quase metade da temporada, perante a sucessão algo inesperada de acontecimentos que parecia ir culminar até ao fim com a euforia e alegria desmedida dos leões em contraponto com a tristeza e depressão que se adivinhava no seio dos benfiquistas. O presente está a provar que ambos os estados de espírito eram, afinal, efémeros. Veremos o que sucederá nos capítulos seguintes.

Como não poderia deixar de ser, foi dado particular destaque às declarações dos derrotados. Os sucessivos exemplos do passado recente ainda não suficientemente digeridos, faziam prever da parte do treinador leonino manifestações de azia, insensatez, desconsideração e falta de urbanidade. Afinal tudo isso foi ainda ultrapassado pela negativa, mandando a decência que nos esforcemos por ignorar toda essa chusma de dislates que acabam por confirmar uma personalidade egocêntrica que teima em demonstrar ao mundo que ele é o único e legítimo herdeiro de Luís XIV… Passemos pois à frente com a humildade que nos caracteriza e da qual nunca deveremos abrir mão!

Na outra partida que poderá vir a hipotecar de modo definitivo as hipóteses do FC Porto poder aspirar ao título, para os portistas o protagonista principal terá sido o árbitro do encontro. Começa a ser recorrente ouvir dos azuis e brancos queixumes sobre as arbitragens o que soa a falso e a hipocrisia, atendendo a que é deveras estranho ouvir alguém que foi beneficiado pelo e por sistema durante três décadas. Como observadores externos, não é difícil perceber que as últimas (paupérrimas) épocas dos portistas têm a ver com um conjunto de factores endógenos que têm minado a sua coesão e conduziram à formação de plantéis pagos a peso de ouro mas profundamente desequilibrados. Não é, repete-se ainda a altura para balanços dado que as contas fazem-se no fim. Mas no tocante ao Benfica é preciso que a humildade e a perseverança se mantenham para que, por último possamos, aí sim, dizer que valeu a pena seguir esses princípios…

P.S. Nova vitória da humildade em S. Petersburgo que nos conduz aos quartos-de-final da Champions. Foi essa humildade e determinação que fez com que superássemos todas as contrariedades, desde lesões em titulares passando por factores marginais por demais evidentes no jogo. Concentrados no objectivo imediato, dispensamos os remoques e, após as tiradas estapafúrdias dos viscondes, as aristocráticas que caracterizam pensamentos tacanhos de quem, em terras de Pedro "O Grande", não consegue ultrapassar as suas próprias limitações de mentalidade territorial…








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