Ponto Vermelho
Deixemos seguir a procissão…
13 de Março de 2016
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1. As incidências, indefinições e prestações da equipa do Benfica que se arrastaram desde que foi conhecida a saída de Jorge Jesus que enfatizaram de forma incisiva, o destino do técnico prolongaram-se até ao passado mês de Janeiro, dando origem a um ror de manifestações das mais variadas matizes consoante os interesses e a côr clubística: A azia não parou de aumentar afectando alguns estômagos mais sensíveis bem como um dos fenómenos sempre presente no panorama futebolístico nacional – o antibenfiquismo – sem regras e sem travões, e que há muito faz parte do nosso quotidiano. É transversal ao mundo plural dos adeptos e estendeu-se ao sector jornalístico/opinativo devido a uma conjugação de fanáticos com mentecaptos, aliada a múltiplos interesses associados.

2. No meio de toda esta agitação alguns autoproclamados benfiquistas engrossaram o coro de críticas, porque alguns deles que se encarniçaram de modo extremo contra o ex-treinador e exigiram por mais do que uma vez a sua demissão e a não renovação, foram os primeiros a estar na linha da frente para verberar a sua saída. O que falta apurar com exactidão é se foi pela sua partida ou se por passar a pertencer aos quadros do rival Sporting. Puxem a culatra atrás e repesquem as frases e as opiniões que desde então e até há pouco tempo inundaram os media e as redes sociais. Esse leque de insatisfeitos permanentes é conhecido por nunca estar de acordo com nada, mesmo que no horizonte não se perfilem quaisquer alternativas viáveis e minimamente coerentes.

3. Se a essas minorias marginais que se fazem ouvir unicamente pelo barulho que emprestam às suas intervenções não se pode assacar qualquer coerência por acabarem de dizer e quase de seguida afirmarem o seu contrário em função da alteração da direcção do vento, já no tocante a outros intérpretes a começar por alguns jornalistas, opinadores e seus derivados, seria exigível opiniões mais abalizadas, rigorosas, independentes e assertivas. Por todos os motivos óbvios, onde se incluem a transparência, a objectividade e, fundamentalmente, a verdade. Para esclarecimento dos adeptos e da restante opinião.

4. Por ser recorrente não vamos malhar em ferro frio, mas é inegável reconhecer que uma parte da crispação que se tem vivido é fruto de uma informação e imagem apimentada e distorcida em que é dado a conhecer de forma propositada aquilo que um sector marginal de adeptos clubistas pretende, para aprofundar em conversas de café e nas inevitáveis redes sociais, o teor de temas e assuntos que espremidos dão rigorosamente nada. Mas agitam e servem de reflexo para mais crónicas e comentários que não raras vezes dão à estampa como sendo a opinião e o sentir unilateral da massa adepta do Benfica (e de outros clubes). É, como já uma vez afirmámos, o velho princípio dos vasos comunicantes.

5. Depois de tudo o que foi escrito e afirmado e sobretudo a forma empregada que ultrapassou largamente pela negativa as críticas normais em tais circunstâncias, levam-nos a que não valorizemos os encómios apressados ora utilizados pelos mesmos como se sobre e o que foi dito ontem tivesse sido passada uma esponja para apagar tudo da nossa memória colectiva. O facto de sabermos que é essa a prática comum, não nos inibirá nunca de fazermos prevalecer a necessidade do conhecimento sobre as tentativas do baralhar e tornar a dar como se nada tivesse acontecido.

6. Como enfatizado pelo anterior treinador encarnado e repetido (de forma diferente) pelo actual, as contas e os balanços fazem-se no fim, ainda que exista a forte tentação (quando se está na mó de cima) para antecipá-los para o presente. Os ensinamentos e a experiência recolhida num período não muito distante comprovam que isso é uma verdade insofismável. Como tal devemos fazer por obedecer a essa prudente filosofia sem que isso queira significar um abrandamento da nossa convicção e da nossa esperança no futuro próximo. Até lá, deixemos os paineleiros de passado recente perorar entusiasmados sobre a nova realidade. Que podendo não ser imutável arrasta consigo, pelo menos, a vontade inquebrantável dos benfiquistas poderem continuar a acreditar. Discretos, convictos, mas sem basófias…








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