Ponto Vermelho
O lento e prolongado estertor…
26 de Março de 2016
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1. A vida faz-se de ciclos quer queiramos quer não, e os anos passam demasiado depressa sem quase darmos por eles. Conseguir antecipar a natureza e a duração desses ciclos que acabam sempre por ser inevitáveis, é uma virtude sensata e avisada que não está, infelizmente, ao alcance da maior parte dos cidadãos que estando na mó de cima, os tentam prolongar como se estivesse na sua mão influenciar o normal desenvolvimento e chegada da verdade implacável. A História ao longo dos séculos, tem registado casos sem fim de pessoas proeminentes no seu raio de acção que se deixaram inebriar pelo espectro da vida eterna e acabaram nas ruas da amargura…

2. Poder-se-á afirmar, sem contestação, que o oportunismo, a sagacidade, a falta de escrúpulos, a conivência mas também o mérito, poderão constituir uma conjugação perfeita para atingir os objectivos numa conjuntura específica. Uma pessoa que consiga reunir e usufruir de todos estes predicados na altura certa, tem bastas possibilidades de singrar e atingir pontos altíssimos que os pode levar a cilindrar os outros, sobretudo se a sua ascensão coincidir com a debilidade e incapacidade de reacção dos seus adversários. Quando assim é, tudo se torna imparável.

3. Foi isso precisamente que se passou com o presidente do FC Porto, Pinto da Costa. A conjuntura no princípio dos anos oitenta com a democracia pós revolução ainda a gatinhar, era propícia a um sem número de aproveitamentos, sendo que o presidente portista se limitou a explorar a oportunidade de mão beijada, contando pelo caminho com muitos silêncios, muitas conivências e a sempre indispensável colaboração de todos aqueles que farejam de modo instintivo o lado de que o vento sopra, não importando o modo desde que estejam do lado dos que ganham mesmo que o seu usufruto não passe de meras migalhas a cair da farta mesa…

4. As suas aventuras desbragadas e despidas de preconceitos já foram por demais contadas, e daqui a alguns anos, quando a memória mais resistente destes vivos se for esbatendo e eles deixem de estar presentes fisicamente, o que a História registará são apenas e só as conquistas que de modo quase sempre conspurcado foram conseguidas pela agremiação nortenha. Os exemplos abundantes do passado em todos os sectores das sociedades levam-nos a concluir que no caso vertente também não será diferente.

5. Não se tendo ainda descoberto o elixir que prolongue a vida humana mantendo intactas todas as capacidades dos tempos áureos, é evidente que o fundamental é que se consiga enxergar quando as mesmas começam a diminuir. Pode levar mais tempo a uns do que a outros, mas o momento inevitável chega sempre. Vê-se isso, por exemplo com os futebolistas, mas seguindo a mesma constatação também com dirigentes e com presidentes. Pinto da Costa chegou há já algum tempo a esse momento, mas por razões a que, julgamos, só ele saberá responder, recusou-se terminantemente a atirar a toalha ao chão, continuando numa cena que parece cada vez menos controlar.

6. De tal modo que voltou a adiar a inevitabilidade e com isso voltou a contribuir para o actual estado de perigosa indefinição em que se encontra o FC Porto, prolongando um jejum de títulos nada habitual que está a deixar a massa apoiante portista em estado desesperado, porquanto o horizonte apresenta-se cada vez mais carregado. É conhecida a apetência de muitos por valorizar os títulos mesmo que, conforme foi por demais o caso, os mesmos quase nunca tenham sido conseguidos por mérito exclusivo. Nesse sentido, a sua saída atempada teria originado que na memória dos adeptos portistas ficasse registado para sempre, apenas e só, as incursões vitoriosas para além da Ponte da Arrábida… Para os seus adversários e em particular o Benfica, haverá muitos adeptos que rejubilarão com o prolongar da agonia. Contudo mantemos o nosso entendimento de que, para além do mal dos outros, teremos, acima de tudo, que pugnar pelo nosso próprio bem. Só assim seremos ainda melhores…








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